Página virada

Por: Yolanda Soares de Souza

Era noite fria, rua deserta, o vento batia forte no rosto de Marta. Ela só tinha dez anos! Era tão magrinha que chegava a ser desnutrida. As casas todas com portas e janelas fechadas. Árvores balançavam e faziam sombras, dando a impressão de que havia mais alguém. O uivar do vento era forte e dava medo.

Estava totalmente vencida pelo cansaço, pelo frio e pela fome! Encostou-se a um muro, não conseguia respirar e já se dava por vencida… – suspirou e apagou – Marta não sabia o que tinha acontecido, nem onde estava, e não sentia mais frio! Pelo contrário, estava bem aquecida, e sentia um agradável cheiro… Que já conhecia de outros tempos. Até àquele momento ela só tinha sentido o quentinho, o aroma maravilhoso, porém, ainda não tinha aberto os olhos, isso foi acontecendo devagar…

Estava com medo do que para ela, poderia ser um sonho, ou! – levou um susto e deu um pulo levantando – será que morri? – falou quase que num murmúrio, abrindo os olhos como que num relâmpago! De repente ouviu uma voz que soou como música em seus ouvidos – calma menina, você não está morta – não? – perguntou – então estou sonhando? – Não – respondeu–lhe a voz– Você está bem viva, e acordada! A menina não acreditava, era tudo irreal. – Venha, tem um caldo quentinho, você deve estar com fome – ela balançou a cabeça que sim – e ajudou Marta a se levantar.

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Ouviu? Foi tiro!

Por: Yolanda Soares de Souza

Final feliz é complicado, mas, desde o momento que a pessoa vai da vida para a morte e volta para a vida, e apesar de algumas sequelas tipo – um ouvido sem audição, um rosto com paralisia facial, um olho com vista turva, e um projétil no crânio… – Ela está viva! Então, isso é um final feliz.

Mil novecentos e setenta e três, Engenho da Rainha.

Michele, um anjo de menina, já criança trabalhava para ajudar no sustento dos nove irmãos. Começou como doméstica aos treze anos, aos quinze mudou para auxiliar de costura. E como parou de estudar cedo, resolveu voltar. Sua irmã mais velha que também parara de estudar para trabalhar, além de apoiar a irmã, resolveu voltar à escola.

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Perdeu a hora e a namorada

Por: Yolanda Soares de Souza

Oi dona Amélia tudo bem!

Tentei falar com o caio e não consegui.

Ontem nós brigamos, ele está ai?

Não entendo, o que a senhora está dizendo.

O caio sumiu depois que saiu lá de casa?

A senhora está brincando comigo.

Isso não pode ter acontecido!

Ele disse que ia dormir, mas se nem chegou ai!

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