VIDAS AMPUTADAS

Por: Wellington França

Pô D. Zilda! Desencana! Deixa curtir minha música em paz!

– Menina! Como foi que cê se queimou desse jeito?

Juliana continua com o fone no ouvido sem interesse de responder.

A avó insiste na conversa. A neta ignora:

– Precisa cuidá da ferida! E como foi que se queimou?

– Inferno! O que foi agora?

– Como que foi que se queimou?

– Que chato! Toda hora a mesma pergunta! Foi no ferro de passar…

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O prólogo, a história e a esquina da poesia

Por: Wellington França

PROLOGO

Metralhadoras tocando o hino da morte marcado pelo tambor das granadas tornam-se eco do passado. Manos, manas e menores, bandoleiros e soldados pobres tombados nas vielas atapetada de plástico vermelho com restos de pó garimpados por crianças. Pétalas de cinza pousando sobre mesas de bar, lembrando corpos de vítimas queimados pela crueldade humana mais sombria… Cedem lugar aos soldados cidadãos querendo ensinar artes e lutas para crianças. Jovens ensinando pais a materializar projetos. Trabalhadores sem trincheiras tricotando ideias reaprendem de igual para igual com intelectuais novos fazeres literários.

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Perdemos um dia e ganhamos uma vida

Por: Wellington França

O toque no celular lembra existência de labuta pós noite. Vizinho Tião na praça varrendo. Estridente relógio chinês se esguela. Num susto pula da cama ao banho. Pega mochila. Corre na rua. No dobrar a esquina, estanca. Volta. Esqueceu crachá. Quase no ponto. Retorna ao lar. Falta celular. Olha hora no visor. Bateria fraca.

Procura carregador. Na pista, ônibus à vista! Atravessa. Faz sinal cortando pela frente: ZÁS, tira um fino. Não para.

Outro ônibus vazio ultrapassa por fora. Vans sequeladas lotadas com cobradores gritando lugares que passa, atrapalham. Procura caneta para anotar o numero e reclamar. Outro caixão de rodas. Desembarca um, entra dez.

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