Trem sem destino

Por: Thabata Cristina Pereira Real

Tudo começou quando ela entrou para o Ballet de Santa Teresa. Sua avó com os olhos cheios d’água suspirava de alegria. Deixando-a naquele lugar cheio de meninas com o penteado esquisito. Cabelos tão esticados, que não levantavam nem um fiozinho! Usavam também umas meias-calças e sapatilhas, tinham um jeito bonito de andar. Achava engraçado aquilo tudo. As meninas e a emoção da avó, que dizia ta feliz, e que aquilo era muito precioso! Perguntava-se precioso como? Quando veio uma moça muito simpática, dar “boas-vindas”. Ela gostou do lugar.

Exatamente naquele momento, uma menina gritou: – Tia Vânia! A gente vai ter aula hoje? Descobriu ao mesmo tempo o nome da moça e o que faria ali: aula! Aula de quê? Ao entrar na sala, uma musica suave ao fundo. ”La vem o trem sem destino” e como a música de Villa-Lobos lá foi à vida rodar, algo mudou depois de entrar naquela sala. Aquele lugar era extraordinário, diferente do que se via. Um espaço onde ela podia ser bailarina, escritora, dançarina de flamenco, atriz. Ela e outras crianças podiam ser tantas, tantas vezes quisessem.

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Um dia irritante

Por: Thabata Cristina Pereira Real

Estava um dia quente, fiquei um tempão sem dormir, pensando onde arrumaria dinheiro para trabalhar. Pensei em pedir minha mãe, mas ouvir blá blá de mãe, não é para qualquer dia não! Ouvir que temos que sair menos, economizar, ou que devíamos estudar mais para termos um emprego melhor, só quando é muito urgente!

Fritava na cama feito pastel, rolava, e pensei na minha conta antiga, que há muito, não mexia. Corri para um caixa eletrônico e para minha surpresa, tinha mais que trocados… Voltando para casa vi homens vendendo poesias, e como amo Mário Quintana, comprei algumas, e ainda comprei uns livros usados que adorei. Gozado eu ir pra casa comprando várias coisas e ainda chegar com dinheiro para a minha passagem. Em casa, deitei na cama feliz da vida, parecia que o calor que sentia tinha desaparecido de vez.

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