Ruído na comunicação

Por: Taiani Mendes

Um quarto, luzes frias, cortinas nas janelas, paredes em tom verde irritante, duas camas, uma televisão, um controle nas mãos de um rapaz de jaleco branco.

Dr. Fernando: Bom dia! Felizmente tudo correu bem, logo logo vocês estarão em casa rindo, comendo, conversando normalmente. Mas para que isso tudo aconteça mesmo temos uma etapa crucial do tratamento, a qual iniciaremos agora. A primeira recomendação é: vocês têm que conversar.

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Ontem

Por: Taiani Mendes

Não costumo esquecer os momentos em que pessoas marcantes entraram em minha vida. Irene, no entanto, é uma incógnita. Não sei o ano, o mês, o dia ou a hora em que ela chegou. Desde que penso ela simplesmente está lá. Adoravelmente fugidia.

Reza a lenda que no momento em que chegou Irene logo avisou que não era de se fixar. Tinha afazeres em vários outros lugares e não sabia até quando poderia ficar. Isso não diminuiu a empolgação da comunidade, que há tanto esperava sua vinda.

Alugou uma casa bem no meio do morro. Apesar dos compromissos nunca deixava ninguém na mão. Ia a todas as festas. Avisava de suas saídas com antecedência, tentando sempre escolher um horário que não atrapalhasse ninguém. Ocasionalmente sumia sem avisar, mas rapidamente voltava quando menos esperávamos.

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O ato

Por: Taiani Mendes

Maldita introspecção! Queria eu ter a coragem dos heróis épicos ou daqueles que batalham diariamente. Não tenho grandes ambições. Não quero aparecer na TV, inspirar nome de bebês, virar nome de rua. Gostaria apenas que minha voz esganiçada saísse da garganta e meus olhos agitados contemplassem firmes os olhos de outro alguém.

A motivação não é romântica. Não pretendo me declarar. Seria um apelo sincero: “O senhor (a) teria dois reais e setenta e cinco centavos para me emprestar?” Poderia trocar o senhor por “você”. Tenho dúvidas quanto ao “emprestar”. Dinheiro não se empresta se dá. Ainda mais para um desconhecido num ponto de ônibus lotado.

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