Paixão é Futebol

Por: Romulo Narducci

O futebol está no sangue e na alma de cada brasileiro. No bairro Califórnia, em São Gonçalo, esse conceito não era diferente para os jovens amigos Edu, Leo, Zé Meleca e Lico. Cresceram jogando bola na rua de terra batida em que moravam.

As traves eram improvisadas com pedras formando o chamado gol de praia, a bola era deixada no sol para ter mais consistência e as regras eram básicas como não botar a mão na bola e não cometer entrada dura. No lado oposto, o cuidado era redobrado para que a bola não caísse no quintal da velha casa de muro alto. O lugar era soturno e tinha uma vegetação que impunha medo às crianças do bairro.

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Goiabada

Por: Romulo Narducci

Não se poderia chamar aquilo de um circo, mas na verdade, o esforço da Cia Yellow Clown era para que o fosse. Instalado num terreno baldio numa rua principal no Mutuapira, em São Gonçalo, a lona rota com o seu tom colorido desbotado se erguia entre tímidos holofotes e um humilde parquinho onde o minhocão era a atração principal das poucas crianças que iam uma vez ou outra prestigiar as apresentações.

Animais o circo não tinha, na verdade só mesmo o Jeremias, um chimpanzé velho que poucos truques realizava sob as bruscas ordens de comando de Seu Abdias. Havia também um mágico que surpreendia tirando coelhos de sua cartola, mas ele não tinha uma ajudante que pudesse cerrar ao meio.

Tinha ainda uma bailarina contorcionista e um velho malabarista de garrafas que ainda atirava facas contra uma adolescente franzina. O homem mais forte do mundo – bastante fora de forma, para se dizer a verdade – ficava erguendo em um só braço a sua esposa, Frida, a mulher barbada e, ainda, havia a modesta companhia de palhaços formada pelo Trio Tropeço comandado pelo anão Cotovelo, e seus enormes companheiros Goiabada e Casca-mole.

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