ESPELHADO

Por: Ricardo Oliveira

Fecha os olhos pra enxergar no escuro, lecionado à própria compreensão dos fatos, há apenas uma vida sob sua pele, uma única tentativa de permanecer vivo, nas lágrimas suprimidas pela falta de verbalizar as mágoas.

Sem perceber ao seu lado uma senhora lhe indaga:

– Posso te ajudar?

Há muito não vivencia compaixão, mas resolve relatar:

– No registro da humanidade estou na turma da sociedade, avaliado sou pelo corpo docente da emoção, cobrado nas matérias mais inusitadas, sucumbo a sorrisos afetuosos mascarando ilusão, vivo a realidade de não me encantar com nada se não a mesmice, selei pactos de sangue com a decepção, todas as vezes que projetei meus sonhos ao léu. Sai em busca de mim e deparei com o mundo.

Continuar a ler

Início do final feliz

Por: Ricardo Oliveira

Em meio a passos certos

tomou a decisão mais difícil,

perdoou seu passado.

até ali vê olhos a lhe seguir,

percorre de Salazar à jericó

vendo olhos ao redor a lhe perscrutar

não sabe o que se passa lá fora

longe do seu ser adentro do seu lar,

trancado, já perdeu a noção da hora

sai não sabe em que curva virar,

põe-se a andar e observar

Continuar a ler

Mão ao bolso

Por: Ricardo oliveira

E assim abandonado de mim

Cheguei ao fundo do poço me doando por inteiro,

Recusei a culpa em ser um homem de mochila de pedra

Caminhei intangível, Irredutível ao próprio egoísmo fui um

Luxuoso inquestionável do miudismo.

Estéril de ingenuidades Doei meu mundo, em troca nada recebi,

Hoje entrego meu corpo à rotina de abrir os olhos

Para mais um raiar do dia no calendário atemporal do meu ego ferido.

Encarando minha miséria e minha solidão Sinto a consciência desatinar.

A condução que se aproxima poderia me levar longe das frustrações,

Pena a realidade ser além dos sonhos e acorrentar meus pés ao falso ideal de seguir em frente.

Continuar a ler