ESQUIZOFRÊNICA PARANÓIDE

Por: Márcio Januário

O labirinto ficava cada vez mais sem fim. O velho sabia o silêncio profundo e olhava tudo perfurando a alma. Estava hipnotizado seu coração de criança. Todos evitavam aquele ser incômodo. Os meninos tacavam pedras, gostavam de provocá-lo gritando: Dois dois! Palavras incompreensíveis rasgavam seu corpo e era um mar em fúria,gritando,urrando. Os meninos fugiam felizes.

Tinham acabado de se mudar para a casa da praia, seus pais mandaram ficar longe do velho maluco, que escrevia na areia. A mãe ficava na cama o dia todo e nunca abria as janelas,o pai trabalhava, bebia, viajava e falava no telefone. Ela tinha a liberdade do mar, as músicas invisíveis, as palavras na areia e uma imensidão de mundos de outros mundos.

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Final Feliz

Por: Márcio Januário

ALEX – MAIOR TEMPÃO QUE NÃO VARAVA O VIDIGAL DE MOTO SEM CAPACETE. EMPINANDO A MOTO.

VONTADE DE SAIR SAINDO PRO CANTÃO PRA FUMAR UM COM OS AMIGOS, GERAL ZOANDO: CARLINHOS, CLAUDIO, ARISTÓBOLO, DECA, RATO E O ORELHA QUE SÓ SABIA FICAR NA ABA.

MAS AGORA TUDO MUDOU. O DECA VIROU BANDIDO E O ORELHA ENTROU PRA IGREJA. HOJE MESMO O RATO, JÁ LEVOU UMA DURA. REVISTAM MOCHILA DE CRIANÇA, ATÉ AS COROA, ELES REVISTAM. TEM UM TAL DE SARGENTO ROBOCOP, QUE É NEURÓTICO,  LEVA OS CARA PRO CANTO MANDA ABAIXAR AS CALÇA E TUDO. ESCULACHA LEGAL.

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DESAPARECIDOS

Por: Márcio Januário

Desde criança aqueles cartazes me atraiam e me deixavam petrificado. o coração acelerado,descompassado diante do milagre das possibilidades. Poderia até dizer que era uma fantasia de criança de cidade do interior. Pulava de alegria com as chegadas daqueles circos paupérrimos ou dos bandos de ciganos. Como sonhava em ter a vida colada na vida daqueles seres sem destino. Como gostaria de ter sido sequestrado, ser um desaparecido, ter desvivido a rota de um ser comum.

Naqueles cartazes de circo era sempre o meu rosto que eu via. o palhaço era eu,o domador era eu,a trapezista era eu,aquela vida era eu. Qualquer coisa que me tirasse de mim e daquele lugar era eu. Se fosse levado pelos artistas de circo teria as luzes do picadeiro como prêmio, por outro lado se fosse roubado pelos ciganos à liberdade seria viver naquela tribo de seres mal afamados e malditos. Essa seria a minha sagrada perdição. A miragem de um novo futuro na poeira da estrada me mantinha vivo.

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