Praça Santos Drummond

Por: Marcelle Abreu

Olhava fixamente pra ele. Tão novo, mas trazia na face um olhar triste, cheio de solidão. Joana uma senhora de 60 anos, que desde sua aposentadoria passa suas manhãs na Praça Santos Drummond, em Nova Iguaçu, alimentando os pombos, há um tempo vem observando Pedro, um jovem de 12 anos, que antes da escola passa um tempo na praça. Sempre pensativo, parece estar fora de órbita.

Numa segunda-feira, quando Joana picava o pão e os distribuíam aos pombos, todos foram surpreendidos com um tiroteio, que fez com que os transeuntes corressem para se esconder. Joana ao perceber logo saiu, porém um estalo a fez olhar para trás. E lá estava o jovem de olhar triste, sentando como se nada estivesse acontecendo. Sem entender o porquê, voltou.

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Declaração n° 26

Por: Marcelle Abreu

2 de julho de 2009. Para muitos: um dia comum, porém para Marcelle: um dia mágico. E não poderia ser diferente. Ela que é romântica, sonhadora, vive a buscar uma forma de surpreender Felipe, seu namorado, estava a preparar mais uma de suas declarações. E essa tinha um motivo especial: dois anos de namoro.

Naquela manhã Marcelle acordou inspirada e confiante. Ela estava certa do que iria fazer, mas precisaria de alguns amigos para que tudo desse certo. E não perdeu tempo, os convocou e combinou às 18h, na sua casa, que como a de Felipe se localiza em Nova Iguaçu, no bairro Califórnia.

O plano era o seguinte: 26 amigos + um texto = declaração. Depois de compartilhar com os amigos a ideia e de contar com eles, ela se dedicou a escrever o texto, que foi dividido em 26 corações recortados sob medida.

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Talvez…

Por: Marcelle Abreu

Sábado. Acordei me sentindo ótima. Abri a janela para contemplar o dia que raiava, e uma onda de felicidade me atingiu. (Sabe aqueles dias que você acorda com vontade de dar bom dia pra todos e o sorriso não sai do seu rosto? Pois bem, foi assim que acordei). Me arrumei, escolhendo a melhor roupa e caprichando na maquiagem.

Tomei um belo café da manhã e sai em disparada ao meu trabalho. Entrei na condução e fui pega de surpresa. (Ela estava aqui, tenho certeza. E agora, como pagar a passagem sem dinheiro? Pensa, Marcelle. Pensa!) O ônibus já havia dado a partida e o trocador aguardava com a mão esticada. “Bom dia! (Meu coração acelerou, minhas mãos suavam. Todos me olhavam neste momento).

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