Ela sem chão, Ele sem rumo

Por: Luiz Fernando Pinto

Assim me contaram… Ao lado de fora uma noite fria de lua cheia, a rua úmida e deserta, como de costume ele está acordado, a escuridão é mais um elemento do cenário sombrio e deprimido.

O calendário já não mais importa, o aniversario ele não comemora a vida não lhe faz mais sentido, o vazio é seu único companheiro.

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Novo lar

Por: Luiz Fernando Pinto

Aconteceu quando todos já tinham desistido. O velho do armazém foi vencido pelo cansaço. Dona Maria, a fofoqueira, preferiu bisbilhotar a vida dos vizinhos e falar mal do padeiro. Seu Juca dizia não ter tempo para essas coisas, afinal tinha que sustentar seus sete filhos e dois agregados.

O problema não era apenas o cheiro, Francisco sempre gostou de morar em Vila Aliança, conhecia tudo no bairro, becos, quitandas, vielas, vizinhos… sempre ao lado de Samuca e Pedro que eram seus melhores amigos.

Quando aconteceu, ele já era conhecido como Chico, moleque danado, curtia o baile funk todas as sextas feiras, gostava de teatro as segundas e quartas, terça era dia do fliperama na padaria do seu Juca, quinta descansava ,até porque ninguém é de ferro, Sábados e domingos trabalha na Kombi com o padrasto José.

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Segunda feira é dia de João

Por: Luiz Fernando Pinto

Segunda-feira, 04h30min horário de Brasília.

Depois de uma noite de guerra entre muriçocas no quarto de João e troca de tiros entre traficantes e policiais na Vila Jurema, o despertador da casa nº 347 da Travessa Treze, entra em funcionamento e transforma a casa do velho em um verdadeiro pandemônio.

Funcionário há cinco décadas no cartório do centro do Rio de Janeiro na Rua da Assembleia, João desperta mal humorado como de costume e vai logo sintonizando seu rádio SIEMENS 1960.

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É você, Capitu?

Por: Luiz Fernando Pinto 

Estou certo de que se não tivesse ido ao quarto naquela noite não teria acontecido.

Apenas não era possível fazer nada enquanto meus pais jogavam biriba na sala. Entre um cigarro e algumas dúzias de palavrões eles me chamaram umas duas vezes para fazer parte da jogatina, lembro-me que rejeitei três ou quatro vezes.

No quarto, parei de frente para o computador, algo me dizia que não era uma boa ideia liga-lo, na memória me vêm as palavras de mamãe “Esse moleque é teimoso feito o safado do pai”, confesso que nunca contestei a mulher que me pôs no mundo.

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