Algumas Palavras

Por: Julio Pecly

Ao ouvir a cela sendo aberta, Seu Mauro soube que tinha sido escolhido, pois ninguém mais tinha motivo para ir em sua cela. Foi levado direto ao laboratório onde ficava a maquina.

Todos os movimentos que fez, foram ordenados por alguém. A única decisão que pode tomar foi escolher o dia, a hora e o local em que poderia voltar. Entrou na maquina, fechou os olhos e quando abriu estava na rua onde havia crescido. Ali estava grande parte de suas lembranças. Dona Maria varrendo, os velhinhos jogando baralho, seus amigos de infância jogando bola. Porem nesse dia ele não jogava bola. Estava prestes a cometer seu primeiro erro.

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O milagre do dia 23 de dezembro

Por: Julio Pecly

Nesse mundo corrido de hoje as pessoas já não acreditam mais em milagres, nem em finais felizes. Eu posso dizer que eu vi os dois acontecerem bem perto da minha casa.

Tudo aconteceu no dia 23 de dezembro, acho que em 1985, nessa época tinha eu quinze anos. Não os quinze anos de hoje, mas os quinze anos daquela época, onde ainda pensávamos em brincar e brincávamos mesmo. Era de pique, o legal de pique era que existiam varias opções, era pique alto, pique esconde, pique cor e pique lateiro, Carinho de rolimã, carniça, guiador e pipa.

O nosso milagre começou por causa de uma brincadeira de pipa. Antes de continuar a história uma coisa tem que ser ditas sobre milagres e finais felizes. Antes de um e de outro, infelizmente sempre existe uma tragédia.

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Sexta-feira 13

Por: Julio Pecly

Nunca acreditei em azar. Depois do que me aconteceu na ultima sexta, confesso que vou repensar isso. Como de costume acordei às seis horas da manhã. Não tinha energia elétrica, tive que tomar banho frio. Quando fui tomar meu pingado, o leite estava estragado. Quando fui calçar meu tênis, arrebentou o cadarço e demorei meia hora para encontrar outro e como resultado, perdi meu ônibus.

Cheguei atrasado ao trabalho, tomei esporro do meu chefe. Na hora do almoço, fiquei engasgado com um osso de galinha. Na parte da tarde para evitar que coisas acontecessem, fiquei quieto no meu canto, trabalhando, adiantando tudo para segunda não ter trabalho acumulado. Quando deu a hora de ir embora, respirei fundo, rezei para São Expedito e fui para o ponto de ônibus.

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Os “Achólogos” de plantão

Por: Julio Pecly 

Os “Achólogos” de plantão sempre acham que sabem tudo.

– Acho que foi sequestro relâmpago!

-Acho que foi embora naquela enchente!

– Acho que explodiu junto com um daqueles bueiros de Copacabana!

– Acho que tá chifrando ele!

– Acho que foi abdução, pois não deixou nenhuma pista sequer.

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