Emergências

Por: Jéssica de Oliveira

Acordou com o choro da pequena Amanda e com os praguejos de Evelyn. Embora preocupado com a saúde da filha, o cansaço pelas noites que passara insone nos corredores do Hospital Geral de Bonsucesso fazia seus olhos pesarem.

Amanda chorava com o arder da febre. A receita dos remédios indicados pelo médico estava sobre a mesa. Evelyn a olhava sem nada dizer. Victor fazia o mesmo. Ambos sabiam que não havia dinheiro para os remédios. Mal havia dinheiro para o leite Ninho da mamadeira.

Fizeram silêncio, deixando apenas que os gemidos da filha ecoassem pelo pequeno quarto-sala em que viviam desde que a barriga da moça apareceu aos 17. Evelyn assustou-se quando Victor levantou-se da cama de repente, calçou o par de havaianas velhas e destrancou o cadeado que prendia a corrente da porta. O seguiu com o olhar em silêncio, sem fazer nenhuma pergunta. Ele saiu.

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Pela Graça de Deus, Amém!

Por: Jéssica de Oliveira

Quando vi que o trem passando, fiquei sem ação. A chance do meu emprego estava indo embora e eu tinha ficado em cima da estação.

Já completava um ano e sete meses que estava desempregado, irmãos. Os bicos que conseguia e as faxinas feitas por Luciene garantiam nossa sobrevivência. Não podia deixar passar essa chance de emprego fixo. Não dava mais pra ver a minha mulher sem se sacrificando tanto. Eu tinha que arrumar um serviço para voltar a sustentar a minha mulher do jeito que um homem tem que fazer.

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Fim antes do fim

Por: Jéssica de Oliveira

Eu entendo o desespero da dona Fátima, aquela mulher carinhosa que põe os filhos em pedestais. Entendo também que passar a noite sem saber do paradeiro de um deles deve ser mesmo uma tarefa muito ingrata para uma mãe.

– Pelo amor de Deus, Fabiana, você sabe onde está o Juan? Ele não dá sinal de vida desde ontem.

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