Danças de empinar passarinho

Por: Geórgia Ramos

Uma tarde de verão, mas ainda cheia de primavera dentro. Um parque sem diversões no meio da tarde, no meio da primavera no meio do verão. Uma cena meio de lado, no meio do parque de dentro dos meus olhos-pensamentos. Uma vida ali se recompunha e recomeçava o mundo…

A – Oi! Sabia que hoje é meu “diaversário”?

B- Oi! Oi?

A- Sim. Não gosto de esperar um ano inteiro para versar.

B- Mas não se trata de versos, meninazinha, se trata de vida passando, acúmulo de dias, horas, meses e, finalmente, ano. [dizia dona Rizoflora sem muita esperança de ser compreendida]

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“Cara, tem um cara na tua cara!”

Por: Georgia Ramos

Eram sete e quarenta e cinco da manhã. Mas pareciam seis. Aquelas seis horas que levantam o corpo. Aquelas seis que o corpo levanta sem ninguém dentro ainda. Pois bem, mesmo sabendo da falta de mim, levantei. Ergui meu autômato mais perfeito e responsável e o mandei para as tantas-todas-tontas-tarefas-do-dia-a-dia-do-mundo-inteiro.

Daí, seguiram-se mais umas quatro das “como se fossem seis horas”. Achei estranho mas continuei (afinal, estranhezas são para dar em gente e talvez eu fosse o escolhido daquele dia – pensava). Andava turvava devaneava me perseguia… Me chegava e me via num táxi diferente de muitos outros. Ele tinha uma placa escrito “táxi” – é que eu estava para o incomum e queria ele comigo. Por isso ia vendo tudo e desvendo sentido.

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O que a vida quer da gente

Por: Geórgia Ramos

E isso, mesmo que escrito, lhe soou como uma voz difusa chegando como a última parte de um eco.

Escutava a lágrima que não descia agarrada na retina gritando insultos a ela que a segurava demais.

Viu um velhinho bem pequeno que carregava uma cadeira vermelha bem grande pelas paredes do quarto.

Carregava e sentava ora aqui (no abajur) ora ali (em cima da cama) ora não (no pé da janela que abria e fechava cada vez mais forte) – a janela pulsava como um coração que acabara de receber uma notícia-pancada. E a notícia reverberava na janela que ela sentia.

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