“CATEDRAL DE BRASÍLIA”

Por: Felizpe Frutose

Felizpe da Silva começou a conversar com os desencarnados assim que a sua avó materna morreu. Ele tinha só oito anos. Agora com 12, já está se acostumando com o seu dom. No início achou estranho, assustador. Logo entendeu que as aparições constantes dos parentes e vizinhos eram inevitáveis.

O Brasil está em processo de mudança. É dois mil e vinte seis depois de Cristo. Orlando, Gisele e Felizpe saíram do Morro da Fé, Rio de Janeiro, e foram morar no centro-oeste do Brasil. Gisele, após se especializar em geriatria, passou num concurso público e agora trabalha em um grande hospital da capital federal.

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“FELIZPE”

Por: Felizpe Frutose

A felicidade é um vírus, que no Brasil, é transmitido através do futebol.

Dois mil e quatorze depois de Cristo.

O hexacampeonato acaba de ser conquistado no novo Maracanã. A nação grita se agita e apita pelas ruas pintadas de verde e amarelo. O comentarista de esporte, com um grande sorriso no rosto, diz ter o prazer de informar, que dessa vez, a França não fez nenhum gol, já o Brasil, três.

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Feira de mulheres frutas

Por: Felipe Frutose

A sua primeira lágrima caiu, ao perceber, que a personagem principal morreu no auge da juventude: Giselle, o mesmo nome de sua amada. Aquele balé era dramaticamente lindo. Lá fora, o tiroteio era a trilha sonora de seu bairro: Morro da Fé. Para não pensar em ser atingido por bala perdida, concentrou-se no site do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Online. Na era digital, o português é refém do inglês. No Messenger, sua sogra aflita, chama pelo seu nome e lhe envia uma mensagem:

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