Festa na casa de malandro

Por: Alexandra Silva

O taxi parou na esquina da Joaquim Silva, ele desceu, combinou o retorno com o taxista, caminhou devagar apoiado na bengala de madeira, nos pés, um sapato bicolor; terno de linho bem acabado e o velho chapéu palheta. A memória era boa e várias lembranças daquela saudosa Lapa vieram a mente e seus 85 anos não fizeram danos a ela.

Andou e parou em frente ao número 230, ajeitou o chapéu, olhou para fachada que não via há mais de 60 anos, respirou fundo, como se naquele momento, tentasse resgatar a aura da Lapa de 40, quando chegou ao local, pequeno e esperto; ganhou logo a simpatia dos malandros da área e os carinhos das polacas e tantas outras que o mimavam de vez enquanto.

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Neném e a Linguiça

Por: Alexandra Silva

Criança em comunidade sabe como é, improvisa em tudo. Nas roupas, nos brinquedos, nas brincadeiras, nas histórias. Afinal, sem recursos financeiros, elas se alegram com qualquer novidade. Viram-se como podem.

Ali, na localidade da Araruá, em um barranquinho que existia atrás da casa de Seu Carlos e que por vezes servia de lixeira dos moradores do morro, as criancinhas brincavam de tudo. Tinha dias que brincavam de pique; de pai e mãe; de jogar bola; faziam fogueira – Pareciam ser do tempo das cavernas.

Certo dia elas brincavam de escorrega. Brincadeira que se resumia em descer o morrinho, sentados em uma folha de papelão, e por vezes não dava certo e sempre tinha uma criança machucada. Mas, não impedia que elas continuassem brincando.

Como dizia uma vizinha, D, Neia: “Filho de pobre é um lutador. Não é um tombinho que vai fazer desistir”. Neste dia, estavam em um número considerável: “Umas oito crianças, entre irmãos primos e amiguinhos”.

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Responsa

Por: Alexandra Silva

São duas da manhã, meus olhos estão cansados.

Sentada no sofá, esperando notícias do “safado”.

Saiu dizendo que ia para casa dormir.

Mas, não sei o que fez o cara sumir.

Sua mãe “tá nervosona”, a avó já teve um troço.

Já xinguei ele e tudo, mas “tô” ficando com remorso.

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