Letrinhas de menina

Por: Alessandra Martins

Era 03 de julho de 1887 quando ela completara seus 15 anos, seu nome era Bárbara, uma filha de escravos, menina tímida, mas muito sonhadora, como qualquer menina em sua idade, um dos seus principais sonhos era a liberdade. A liberdade sonhada não só por ela, mas por toda uma nação que vivia mais 300 anos de escravidão. Bárbara almejava a liberdade de ver seus pais, amigos e parentes livres.

Bárbara havia nascido na “Lei Rio Branco”, mais conhecida como Lei do ventre livre, assinada em 1771. Sendo assim, sendo considerados ”livres”todos que nasceram a partir dessa data. Barbara adora escrever, escrevia um diário relatando todos os acontecimentos ocorridos em seus dias. Cada chicotada observada, cada corrente que apertava, cada mordaça colocada era relatado por Bárbara em seu diário. Eram lágrimas de dor que se transformavam em palavras escritas, ouvia e via muitas rebeliões de escravos descontentes com a escravidão, formação de quilombos de seus ancestrais, tudo era escrito por Bárbara em seu diário.

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Trocados para inteirar

Por: Alessandra Martins

Eu havia saído alguns minutos mais cedo, pois ameaçara cair um forte temporal, a tarde já meio escura e em um ponto deserto, avistei o 171 que chegara meio cheio e logo fiz sinal. Parando exatamente na minha frente em um só impulso entrei no ônibus, a chuva começara…

Ufa, por pouco não me molhei. Com muita força e incessante a chuva caía…

O ônibus seguiu enquanto na frente eu procurava o dinheiro da passagem na bolsa. Já desconcertada com as voltas e freadas do ônibus e a caras curiosas dos passageiros que me olhavam, pedi ao cobrador que liberasse a roleta para que sentada procurasse o dinheiro.

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