Ciúmes

Por: Henrique Pakkatto

Marconi caminhava em círculos há alguns minutos. Sem se importar com as outras pessoas ao seu redor, parou diante da janela e contemplou pensativo o movimento lá fora. De canto de olho observousua mãe sentada no banco de concreto.A velha senhora mais parecia um farrapo humano. A magreza cadavérica e os olhos fundos e vermelhos denunciavam o sofrimento que Eleonoravinha passando nos últimos tempos.

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Incesto

Por: Monique Vieira

Numa exposição, um artista apresentou um quadro que lhe deu farta notoriedade. Com um sorriso tão hipnotizante quanto o de Monalisa, obra de Leonardo da Vinci, a figura pintada retratava uma senhora que em pleno estado de graça estava a elogiar o pintor. A mulher, vestida de branco, como tivesse chegado ao orgasmo numa versão clara de complexo contrário ao de Édipo. Conversava com um menino, franzino e tristonho, que estava ao seu lado:

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Tem gente ai mesmo?

Por: Vivian Farias

Nininha tinha 6 anos quando recebeu a noticia que ia ganhar um irmãozinho!

 – O que? – fitou a mãe com cara de espanto. Olhos pretos arregalados, uma sobrancelha mais alta que outra.

Ela não tinha pedido irmãozinho, tinha dito: bi-ci-cle-ta; com todas letras e silabas: a de abelhinha e b de borboleta.

– Ir-mão-zinho – pensou. – I de índio, r de que?

A Mãe no sofá: cara de boba, mão alisando a barriga. Será que falava serio?

Nininha se aproximou, olhou pro umbigo dela e disse:

– Tem gente ai mesmo?

A mãe riu-se. Nininha não achou graça.

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