171 Anos de Experiência

Por: Monique Vieira

 “Caramba”, atrasada novamente!Meu patrão vai me matar!Mas o que posso fazer? Tinha que ir ao banco receber!Separo o dinheiro sacado, coloco o da passagem em um canto e o resto do pagamento do outro lado da carteira… Quando… Vejo uma senhora… Parece nervosa, parece perdida, PARECE estar sozinha.

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O ato

Por: Taiani Mendes

Maldita introspecção! Queria eu ter a coragem dos heróis épicos ou daqueles que batalham diariamente. Não tenho grandes ambições. Não quero aparecer na TV, inspirar nome de bebês, virar nome de rua. Gostaria apenas que minha voz esganiçada saísse da garganta e meus olhos agitados contemplassem firmes os olhos de outro alguém.

A motivação não é romântica. Não pretendo me declarar. Seria um apelo sincero: “O senhor (a) teria dois reais e setenta e cinco centavos para me emprestar?” Poderia trocar o senhor por “você”. Tenho dúvidas quanto ao “emprestar”. Dinheiro não se empresta se dá. Ainda mais para um desconhecido num ponto de ônibus lotado.

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Pela Graça de Deus, Amém!

Por: Jéssica de Oliveira

Quando vi que o trem passando, fiquei sem ação. A chance do meu emprego estava indo embora e eu tinha ficado em cima da estação.

Já completava um ano e sete meses que estava desempregado, irmãos. Os bicos que conseguia e as faxinas feitas por Luciene garantiam nossa sobrevivência. Não podia deixar passar essa chance de emprego fixo. Não dava mais pra ver a minha mulher sem se sacrificando tanto. Eu tinha que arrumar um serviço para voltar a sustentar a minha mulher do jeito que um homem tem que fazer.

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Salva pelo bombom

Por: Silvana Bahia

Descendo a ladeira da Rua das flores num sol de rachar o coco, lá vai Luciana para o trabalho mais uma vez atrasada. A quarta-feira da Semana Santa era sempre assim: troca de chocolates com a galera da empresa. Luciana comprou, além do ovo de páscoa do amigo oculto, vários bombons para distribuir entre as pessoas de seu setor.

O ponto de ônibus estava lotado. Esperou por mais de 20 minutos, até que conseguiu entrar no coletivo. Passou pela roleta e pediu ao trocador para pegar o dinheiro assim que deixasse as bolsas no banco. Enfiou a mão na bolsa para pegar a carteira – bolsa de mulher sempre cabe tudo e mais um pouco, elas levam a casa ali dentro – porém não estava achando. Começou a fazer sinal de “calma” para o trocador que já olhava a moça com cara de desconfiado.

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Jogo Grátis

Por: Wanderson Duke

Quando Marcos Paulo aceitou o convite feito por mim e Breno para visitarmos Guilherme, nosso amigo de longa data e que agora residia em Angra dos Reis, eu já havia deixado o celular em cima da mesinha oferecida pela barraquinha do “Russo”, na Via light, onde saboreava um delicioso hambúrguer.

Ocupação esta que não permitiu ouvir os gritos e palavrões que Marcos me metralhava do outro lado da linha quando descobriu que não tinha o dinheiro da passagem da única linha de ônibus do trajeto Queimados- Nova Iguaçu que ainda funcionava aquele horário da madrugada.

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Cenas noturnas

Por: Jonas Baldsom

O som dos latidos ecoando a noite, fazem as luzes dos apartamentos caros se acederem, assim como as estrelas iluminam o céu as luzes serviram para melhor visualizar a próxima catástrofe daquela rua chique de apartamentos caros aonde de tudo acontecia. Wesley, um taxistas comum que buscava apenas o sustento da sua família trabalhando nas madrugadas para poder dar aos filhos aquilo que ele não teve, após a sua rotineira bebida cafeinada com leite lá vai ele tentar a sorte em uma dessas ruas da cidade onde as pessoas são mais providas, o pobre coitado não sabia que iria cair em uma das maiores armadilhas humanas, ao pegar mais um passageiro que estaria de passagem pela noite buscando a tão amada adrenalina, o pobre Wesley quando chega ao ponto de luxo aonde o passageiro iria descer é surpreendido quando o rapaz diz que não tem dinheiro.

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Ou paga ou desce

Por: Darlan de Oliveira Grossi

Tudo soava muito estranho naquela manha cinzenta de segunda-feira, quando ainda abatido tomei um ônibus rumo ao trabalho, a todo tempo eu me fazia perguntas do tipo; porque comigo? Tinha que acontecer logo agora?

Esses são questionamentos que diversas pessoas fazem em alguma parte de suas vidas. Especialmente hoje não liguei para toda aquela gente imprensada no ônibus, tudo e todos pareciam tão frios e amargurados talvez seja porque eu esteja de luto e minha mente esta enxergando tudo tão triste, ou porque se trata de segunda-feira de trabalha.

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