O feijão de D. Rita

Por: Abrahão Turko

Minha póstuma lembrança dela seria com certeza algo aterrador para uma mãe, por tanto optei por não dizê-lo, apenas tentar confortar com palavras que Dona Rita certamente precisaria ler.

Valéria não estava mais ali e eu sabia disso, a barra inferior piscava, Dona Rita no msn vagarosamente digitava, dividia comigo sua preocupação. Não poderia dizer que minha dor naquele momento era mais pugente, olhava para a nossa foto em ilha grande e a pirraça que ela tentou disfarçar quando uma sueca puxou assunto comigo no catamarã, ela detestava mulheres loiras.

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O começo do fim

Por: Juliana Portella

Na vida, há situações extraordinárias, uma das quais acontecem em dias comuns, quando a gente imagina que está tudo bem. Como de hábito, liguei para Lucas no caminho da minha casa até o ponto de ônibus, enquanto ia para o estágio. Durante a manhã continuei tentando contato com ele. Enviei sms, entrei em seu facebook, twitter e nada. Ainda no estágio, a mãe de Lucas me aborda com uma mensagem no facebook dizendo que não via seu filho desde que ele saiu da minha casa. Imediatamente fiquei gelada. Coração acelerou. O que será que deve ter acontecido com ele? Me perguntei.

Onde ela está agora? Com quem está? Por que Lucas não me atende? Por quê? As interrogações não me  deixaram em paz durante o caminho de 20 minutos que fiz no ônibus de  Belford Roxo ao Bairro de Caioaba onde Lucas mora com a família. Depois de ligarmos para todos os amigos, para familiares, decidimos começar a vasculhar suas coisas e ver se ele havia deixado algum vestígio.

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Dia marcante

Por: Flávia de Souza Machado

Ele havia sumido! Sim, Ivo, meu namorado, havia desaparecido! Outro dia, ao entrar na Internet, Dona Eva, sua mãe, comunicou o desaparecimento do meu namorado. Ela me contou que desde que ele saiu da minha casa, há pelo menos 24hs,  não havia mais aparecido. Gelei! Fiquei muito preocupada.

Comecei a imaginar onde Ivo poderia estar. Sequestros, assaltos, tudo passava pela minha cabeça naquele instante. Imediatamente, tentei contato pelo telefone, porém a voz que eu queria escutar não soava do outro lado da linha. No dia seguinte, era o meu aniversário. Talvez essa fosse uma das piores sensações vividas na minha vida. Um filme começou a passar pela minha cabeça, lembrei-me de todos os momentos que vivemos, de todas as alegrias, de todos os planos e das brigas, até mesmo das brigas que tivemos eu me lembrei naquele triste e tumultuado dia.

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Vice, de algum jeito

Por: Raphael Ruvenal

Apitou, piscou, apitou e não parou de piscar o amarelo pequeno e discreto, na barra de ferramentas inferior, piscava na cara dela, era um sinal de “Atenção”, mas diferente dos desesperados e mal-educados motoristas que aceleram diante de tal conselho dos semáforos ela continuou a falar com outros, a baixar músicas e a ensaiar a estudar algumas matérias na internet que diante do MSN já perde na disputa quando logo de cara surge aquele assunto interessante.

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Uma tonelada

Por: Darlan de Oliveira Grossi

Havia sido um dia normal como todos os outros dias com um diferencial  que só pude ter conhecimento quando cheguei em casa, ao entrar na internet me deparei com minha sogra falando que minha namorada havia desaparecido, aquela noticia foi como um peso de uma tonelada afundando no estômago, fiquei incontrolado eufórico andando de um lado ao outro me perguntando o que poderia ter acontecido até minha mãe percebeu pela minha cara de desespero com os olhos arregalados de alguém assustado.

A primeira atitude pensável que tive fora ir até  a casa de minha sogra saber mais noticia, minha mãe me acompanhou, pois a noticia me deixou muito eufórico, chegando me deparei com a cena de Maria minha sogra sentada na calçada na sua mão direita um celular e na outra um cigarro, ao me ver disse que a ultima pessoa com a qual ela havia tido contado foi comigo ontem. Na mesma hora fui invadido por um sentimento de culpa.

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É você, Capitu?

Por: Luiz Fernando Pinto 

Estou certo de que se não tivesse ido ao quarto naquela noite não teria acontecido.

Apenas não era possível fazer nada enquanto meus pais jogavam biriba na sala. Entre um cigarro e algumas dúzias de palavrões eles me chamaram umas duas vezes para fazer parte da jogatina, lembro-me que rejeitei três ou quatro vezes.

No quarto, parei de frente para o computador, algo me dizia que não era uma boa ideia liga-lo, na memória me vêm as palavras de mamãe “Esse moleque é teimoso feito o safado do pai”, confesso que nunca contestei a mulher que me pôs no mundo.

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Atitude

Por: Edilson Cândido Rezende

De repente veio a minha cabeça muitas caraminholas. A mãe de Ricardo voltou a perguntar no MSN “Carlinha minha filha, ele saiu de casa ontem, por favor, me diga alguma coisa que possa me ajudar.” Mas eu naquele momento não queria dizer nada, como eu poderia dizer pra moça que eu achava que um dia eu ia chama – lá de sogra, que ontem eu terminei com o filho dela, por conta de uma briguinha boba de ciúme e o meu Ricardinho sempre me disse que sem mim ele não agüentaria viver, mas eu tinha que falar:

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