SAIDINHA DE BANCO

Por: Adilson Passos

A esperta neta do seu Azarildo, tinha que ficar mais atenta, pois assim que retiraram o dinheiro da aposentadoria no caixa eletrônico; ouviu alguém dizendo no nextel: – O Velhinho! Bela olhou em volta de ambos dentro do banco e viu que só tinha o seu avô com aquelas característica, ficou preocupada; o elemento falou isso no exato momento em que ela ajudava o senhor a colocar o dinheiro na bolsa.

Ele não ouviu nem desconfiou de nada, mas como Bela já tinha ouvido falar de caso parecido, ficou desconfiada. O homem de quase setenta anos de idade dirigia razoavelmente bem, mas ouvia pouco. Teve dúvidas se falava ou não para ele; não queria deixá-lo preocupado. Nos seus doze anos de vida, aquele seria o mais complicado problema enfrentado por ela.

Assim que entraram no carro e ganharam a rua no sentido a sua casa, Bela olha constantemente para trás e vê um carro gol preto, com os vidros escuros que lhe chama atenção; ela já tem certeza que ele os está seguindo. Vira para o avô, cutucando-o, com a ponta dos dedos e fala: -Vovô? Tem um carro nos seguindo! Ela gostava muito do seu avô; ainda mais após o falecimento da sua avó, o que reforçou a cumplicidade entre eles.

Antes eram três, agora só dois. Se acontecesse algo de ruim com o seu avô ela nunca se perdoaria. -O quê? -Tem um carro nos seguindo, Vô! Ele está se aproximando, é esse gol preto aí atrás com os vidros escuros. Desde que nós saímos do banco ele passa onde passamos. Seu Azarildo, coça os cabelos brancos e tenta ficar calmo; primeiro pensa na segurança da neta. Pois o dinheiro da aposentadoria viria de novo no próximo mês.

Levava a neta ao banco sempre para lhe ajudar com o caixa eletrônico e não queria que ela corresse nenhum perigo. Teria que tomar uma decisão sábia.

-Vai rápido Vô, mais rápido. Ele está aí atrás bem próximo. Ai meu Deus!

-Nós não podemos Bela, eu não sei correr muito e o nosso gol é mais velho do que o dele, ou eles. Você viu quantas pessoas ta lá dentro do carro?

-Não Vô, só vi o homem lá dentro do banco, que falou “velhinho”, quando eu lhe ajudava a guardar o dinheiro e deve ser o mesmo que está no carro preto. Ai meu Deus ele está chegando perto Vô.

-Bela, pode ficar calma, eu jogo o dinheiro pela janela e eles pegam e param de nos seguir.

-Não vô, e como faremos as compras de casa? Como vamos comer?

-Não Bela, e se eles nos abordarem em qualquer lugar, ou estiverem armados e derem tiros no nosso carro para pararmos, e ainda estamos longe de casa. Então pega o celular e liga pra polícia; e um nove zero.

-Droga vô; a bateria do celular está descarregada.

-Não podemos parar. Vamos continuar até a Delegacia de Polícia. Porém Bela teve uma idéia brilhante.

-Já sei vô! Vamos para lá, tem uma patrulhinha ali pertinho na beira da rua Salva Merreca.

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