Praça Santos Drummond

Por: Marcelle Abreu

Olhava fixamente pra ele. Tão novo, mas trazia na face um olhar triste, cheio de solidão. Joana uma senhora de 60 anos, que desde sua aposentadoria passa suas manhãs na Praça Santos Drummond, em Nova Iguaçu, alimentando os pombos, há um tempo vem observando Pedro, um jovem de 12 anos, que antes da escola passa um tempo na praça. Sempre pensativo, parece estar fora de órbita.

Numa segunda-feira, quando Joana picava o pão e os distribuíam aos pombos, todos foram surpreendidos com um tiroteio, que fez com que os transeuntes corressem para se esconder. Joana ao perceber logo saiu, porém um estalo a fez olhar para trás. E lá estava o jovem de olhar triste, sentando como se nada estivesse acontecendo. Sem entender o porquê, voltou.

Voltou e puxou Pedro para baixo do banco. Era a solução, afinal correr naquele instante era suicídio. As coisas acalmaram e Pedro foi agradecer Joana, mas ela não se mexeu. Ao voltar a praça, pra salvar Pedro, foi atingida por uma bala. A ambulância chegou. Socorreram Joana e a levaram para o hospital.

Pedro não pôde ir junto, mas seguiu de ônibus, afinal queria saber notícias da senhora que o salvou sem ao menos conhecê-lo e entende o porquê de sua atitude. Joana passou por uma cirurgia e logo foi para o quarto e recepcionada por Pedro, teve certeza de que havia valido a pena seu esforço.

Pedro – Oi, me chamo Pedro.

Joana – Me chamo Joana. Que bom que está bem.

Pedro – Por que me ajudou? Por que arriscou sua vida por mim?

Joana – Não sei dizer. Só sei que há tempos o observo na praça. Você traz nos olhos muito sofrimento e isso mexeu comigo. Quando percebi que estava em meio ao tiroteio, não pude deixá-lo correr o risco de morrer. Sou uma velha, que encontrou felicidade na praça, pois não tenho ninguém.

Assim como Joana, Pedro não tinha ninguém. Fora abandonado aos 6 anos pelos pais, e passou a viver com uma tia, que nunca supriu o amor dos pais, além de ignorá-lo a maior parte do tempo. Passou a frequentar a praça para ficar com as lembranças, pois foi lá o pouco que viveu ao lado dos pais.

O episódio os uniu e a partir dali um tinha o outro, e o olhar de Pedro mudou, hoje traz no olhar um brilho especial, cheio de amor e esperança. Agora Joana e Pedro vão a praça juntos, e ali ficam a conversar e alimentar os pombos, que sempre parecem estar a esperar por eles, que não deixam de ir um dia sequer a praça.

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