Letrinhas de menina

Por: Alessandra Martins

Era 03 de julho de 1887 quando ela completara seus 15 anos, seu nome era Bárbara, uma filha de escravos, menina tímida, mas muito sonhadora, como qualquer menina em sua idade, um dos seus principais sonhos era a liberdade. A liberdade sonhada não só por ela, mas por toda uma nação que vivia mais 300 anos de escravidão. Bárbara almejava a liberdade de ver seus pais, amigos e parentes livres.

Bárbara havia nascido na “Lei Rio Branco”, mais conhecida como Lei do ventre livre, assinada em 1771. Sendo assim, sendo considerados ”livres”todos que nasceram a partir dessa data. Barbara adora escrever, escrevia um diário relatando todos os acontecimentos ocorridos em seus dias. Cada chicotada observada, cada corrente que apertava, cada mordaça colocada era relatado por Bárbara em seu diário. Eram lágrimas de dor que se transformavam em palavras escritas, ouvia e via muitas rebeliões de escravos descontentes com a escravidão, formação de quilombos de seus ancestrais, tudo era escrito por Bárbara em seu diário.

Todas as noites Bárbara fincava da janela seus olhos na lua e conversava com as estrelas que brilhavam no breu das noites frias de Petrópolis. A menina não desgrudara do seu diário nem quando limpava a imensa casa, que por sinal era gigantesca, um verdadeiro palácio. Certa noite enquanto Bárbara arrumava um dos muitos quartos ela esquecera seu diário no banheiro de Dom Pedro II. Ele mesmo o imperador do Brasil. Dom Pedro não resistiu e começou sua leitura pelas páginas sofridas de Bárbara.

Dom Pedro leu cada letrinha que a menina escrevera, mas parara no meio do caminho, desistiu de continuar lendo toda aquela dor e sofrimento que a menina retratara em seu diário tão particular. Dom Pedro sentiu como se mais uma vez privasse a liberdade daquela jovem menina, tirasse dela algo que ela mais sonhava obter não só para ela, mas para todos que ainda eram aprisionados pela escravidão. Dom Pedro tinha 65 anos, na mesma hora se olhou no espelho e teve vontade de chorar, mas não chorou, foi até Bárbara e perguntou o que ela faria se pudesse mudar sua história.

-Sr. Dom Pedro, eu gostaria de ver meus pais e todos os outros livres. Pois nossa liberdade temos apenas quando estamos dormindo. Não aguento mais ver tanta crueldade.

-Sim, minha filha! Eu entendo, vou confessar-te uma liberdade que mais uma vez eu roubei, mas depois disso quero me redimir, se há como se redimir depois de tantos anos de sofrimento. Falou Dom Pedro.

– Sim, senhor! Disse ela.

– Eu li seu diário. Mas não quero mais ser cumplice de toda essa crueldade. Desculpe-me por tudo isso.

– Oh não! O sr. leu meu diário?? Desculpe-me, senhor, não quis ofendê-lo com minhas palavras! Exclamou Bárbara.

– Não precisa se desculpar, fique calma, amanhã mesmo conversarei com Isabel sobre as leis abolicionistas e esse sonho em breve se realizará.

No dia seguinte Dom Pedro falou com sua filha Princesa Isabel. E depois de 1 ano a escravidão foi abolida. No dia 13 de maio de 1888, um ano depois da abolição Dom Pedro morreu aos 66 anos.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s