Doces com sabor de Liberdade

Por: Joana Ribeiro

5 horas da tarde, o sinal bateu. Hora da saída. Toninho, a partir de agora iria sozinho da escola para casa, mesmo sendo ambas tão próximas. Sua casa ficava há poucos metros da escola. Sorridente, deu um beijo na professora e saiu apressado. Chegou a sua casa, entrou e deixou a mochila cair sobre o sofá enquanto a mãe estava na cozinha preparando a Janta.

Não falou com ninguém, pegou as moedinhas em sua mochila e saiu novamente. Desceu a sua rua, e virou bem na esquina, onde ficava a barraquinha de Dona Leila. Ele ainda com o sorriso estampado no rosto chegou todo serelepe gritando por doces. Dona Leila ficava furiosa com Toninho, dizia que ele deveria ter modos, mas ele pouco se importava, gritava e ficava pulando de alegria dentro de sua barraca todos os dias quando saída da escola. Toma, me dê tudo de doces. Disse ele. Todo feliz se sentindo pleno de liberdade.

Do outro lado da rua, o Velho e aposentado Seu Francisco ficava só de olho. Sorria ao ouvir dona Leila reclamando dos modos do pequenino. Seu Francisco mesmo aposentado fazia bico tomando conta de uma velha loja de material de construção, onde certo dia, Toninho se escondeu de sua mãe que queria lhe dá uma boa coça. Pois ela tinha percebido que o dinheiro que estava na sua bolsa tinha desaparecido, e como não tinha dado dinheiro naquele dia ao pequeno, suspeito que ele foi para a barraquinha com o dinheiro.

Neste dia, ela o encontrou com a cabeça sobre o colo de Seu Francisco. Que o aconchegava para tirar-lhe do desespero que o tinha tomado por medo de apanhar. Ela puxou-o pela orelha e perguntava o que fizestes com o dinheiro.

Ele mentia. Dizia – Mamãe, eu não peguei o dinheiro – E quanto mais ele mentia, mais ela dava tapas e puxões de orelha. Como conseguiu comprar essa sacola cheia de doces, menino? Responda, ou eu mato-o de pancadas. Berrava a mãe de Toninho.

Seu Francisco incomodado com a situação levantou-se do banquinho, e disse para que parasse imediatamente. Ela parou e olhou para ele espantada. Fui eu que dei dinheiro para este moleque. Disse ele. O menino limpou as lágrimas, e arregalou os olhos. Queria sorrir, mas não podia. Sua mãe largou-lhe a camisa então e disse ao Seu Francisco que deveria ter perdido o dinheiro que estava em sua bolsa.

Ainda confusa, ela saiu e voltou para casa. Toninho abraçou-o e sorrindo lhe pediu obrigada. Seu Francisco começou a lhe dá uma bronca, dizendo que o que ele tinha feito foi errado, mas que se soubesse que o menino voltou a roubar o dinheiro da mãe para comprar doces, iria lhe puxar as orelhas.

Toninho prometeu, beijando os dedos como forma de juramento que não voltaria a pegar o dinheiro de sua mãe nunca mais. E a partir daí, todos os dias ao sair da escola, em vez de tirar a paz de Dona Leila, era para a entrada da velha loja de materiais de construção que Toninho partia, para contar suas aventuras escolares, e ouvir as variadas histórias do Velho Francisco.

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