Curvatura

Por: Monique Vieira

A garota vinha caminhando pela estrada, onde pensava encontrar uma cigana que, volta e meia, fazia da rua seu ponto para quiromancia. Na curva da estrada, onde o infinito torna-se mais nítido, visualizou uma senhora, aparentemente de meia idade, que tentava pular do alto da pedra que separava o concreto do abstrato.

– Não faça isso! Gritou Joana.

A mulher com o rosto inundado de lágrimas olhou para aquele rosto jovem e belo. – O que você acha que sabe da vida, menina? Perguntou Sônia.

Desejando mal a garota que interferiu seus pensamentos suicidas. – Sei que se matar não é a melhor forma de resolver seus problemas! A menina respondeu imperativamente.

– Um dia vai entender menina… O que é o desespero. Vai envelhecer, perderá a dignidade da boa aparência; Aprenderá que o externo é mais importante que interno; Que a juventude estraga e a beleza é perecível; O sorriso vai embora junto com amante do seu marido; Ser bom não garante paraíso, se no inferno resido;

– Que triste, respondeu Joana. – Mas para que homem? Eu nunca vou me casar! Olhou fixamente para a mulher, lembrou-se da sua professora do jardim de infância que não via a mais de dez anos.

– Sônia? É este seu nome? Perguntou a garota.

– Como você sabe? Respondeu a mulher com estranheza.

-“Tia” Sônia, sou Joana, ex-aluna do Jardim de Escola Estrela Guia.

– Meu Deus! Exclamou Sônia, “Como está diferente!” Lembrando-se de Joana como uma garota reprimida que precisava de atenção redobrada. Não lembrava, nem um pouco, aquela figura descolada que estava em sua frente. Os negros e frágeis cabelos, agora rosa. A menina sem vaidade estava lotada de informação visual. Era tanta mudança, que distraiu Sônia, e por um minuto esqueceu a ideia mortal.

– Como está? Perguntou a mulher.

– Ótima! Cursando o Ensino Médio em técnico de enfermagem. Quero cuidar das pessoas. E você?

– A beira do precipício! respondeu com ironia. Pensou, “continua idiota!”

E Joana feliz pelo reencontro, disse: – Tia, porque não vem comigo procurar a cigana? Ela poderá ler sua mão… Quem sabe não tem outro homem no seu futuro.

Sônia naquela altura já estava careta, de cabeça fria, a covardia dominava novamente não iria conseguir mais se matar, não naquela hora. Aceitou. E seguiu o caminho de Joana.

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