A Nova Casa

Por: Leilane MBrito

Damião puxa pelas mãos Mirna, que relutante o acompanha sem parar de resmungar. Mesmo com toda a delicadeza e paciência de Damião, ela não da chance para aquela criança ter um minuto de sossego e continua retrucando todas as explicações dele, enquanto vão andando pelas ruas daquela linda cidade.

– Mas Valéria vai ficar sozinha? Ela não sabe fazer nada.

– Vó, ela não está sozinha, há várias pessoas com ela, não se preocupe.

– Eu me preocupo… Ela é uma criança…

– 40 anos não é mais uma criança. Tem pessoas que se recusam a virar adultos e são crianças pra sempre, mas não é o caso da sua filha.

– Tanta coisa pra eu fazer, e estou aqui com você. Acabei de terminar a colcha de fuxico que estava fazendo para a minha neta mais velha, ela não sabe ainda, tenho que dizer pra ela…

– A minha irmã descobriu, até comprou lençóis para combinar.

– Que feio! Meninos não entram no quarto de meninas.

– Ela tem 21 anos, sou só seis anos mais novo… Vó, não tenha medo, não se preocupe.

– É só o que sabe dizer? Não se preocupe, não tenha medo. Desaprendeu como falar com os mais velhos.

Sempre fui corajosa. Dirigi um bondinho. Competi nadando no mar de Copacabana; mas nunca usei biquíni de duas peças. Ensinei as primeiras letras às crianças de uma aldeia indígena. Eu era uma ótima professora… (para por um momento, pensativa) E… Como vai ser lá?

– Fique calma. Muitos estarão ao seu lado, nunca ficará só, terá mais tempo para si. Vai gostar de lá, é uma casa acolhedora.

Durante o trajeto, passam por vários locais onde param e ficam alguns momentos só olhando sem falarem nada, em outros, Damião mostra algo pitoresco ou de alguma importância.

– Vê lá longe, é um hospital, aonde muitos vão se curar antes de irem para as suas casas.

Mirna não está mais com as mãos trêmulas; segura com firmeza e confiança a mão de Damião que com apenas o olhar e um grande sorriso, lhe cobre de afeto e carinho.

– Poderei ver minha família?

– Não!

Passado algum tempo, sem a noção exata de quantas horas ou minutos, Damião mostra a Mirna um lindo lugar, com belas árvores, um enorme jardim com gramas tão verdes que reluziam à luz do sol, e no meio de tanta beleza, uma casa grande e simples, com uma bela varanda, e na porta da casa, surgem alguns dos moradores, chamando Mirna para entrar. Damião a conduz lentamente até eles.

– Chegamos! Aqui você vai ficar por algum período e aprender muitas coisas, depois irá para outro lugar aprender outras.

– Meu neto? Continuaremos juntos?

– Não vó. Essa é a sua última morada e aqui encontrará a paz. Irei ajudar outros a acharem o caminho como lhe ajudei. Se for à vontade de Deus, poderemos nos reencontrar.

– Estou feliz. Pude vê-lo novamente. Vá, meu neto.

E se abraçam.

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