Por: Ana Gabriela Castro Corrêa

O que ela poderia fazer para se livrar daquilo? Sentia como se seu coração estivesse completamente fechado para a vida. Dizia-se incapaz de fazer as coisas que sempre fez e agora sua vida se resumia em acordar, levantar da cama, sentar naquela poltrona e ver a vida passar pela janela daquele quarto branco.

Durante o chá da tarde, enquanto olhava algumas bolachas que ainda pairavam sobre o pequeno prato ouviu um barulho no corredor e logo depois uma criança adentrou seu quarto e pulou em sua cama.

— Você vai comer isso aqui? — perguntou enquanto pegava uma das bolachas e pulava na cama

— Não. — a mais velha respondeu insegura sem saber ao certo se deveria ou não ter aquele contato.

— Meu nome é Carla e o seu? — a pequena menina saltitante perguntou e sentou na cama —Você fala pouco, não está se sentindo bem?

— Eu… Eu me sinto bem sim. Meu nome é Lucy. O que você faz aqui? – Lucy indagou se ajeitando na grande poltrona

— O mesmo que você. Como está seu dia hoje? Eu estava mal, mas hoje, acordei bem. — Carlinha dizia sorrindo. Era agitada, falante e muito pra cima para alguém que estava passando pela mesma situação que Dona Lucy.

— Meu dia está como todos os outros, eu fico aqui e espero as coisas acontecerem, mas isso não é assunto para você.

— Tudo é assunto pra mim, meus pais me falam tudo. Eu fugi do meu quarto agora, minha mãe deve estar me procurando. Mas vovó… — a pequena criança disse sem querer, o que causou espanto na mais velha, tempos que não ouvia ninguém a chamando assim, a inocente criança disse e significou muito — Você fica o tempo todo aqui dentro? Não gosta de ficar lá fora com todos?

— Pra que? Eu não sirvo mais para nada, tenho mais é que ficar aqui onde me deixaram e esperar o dia em que serei levada por essa doença. — ela disse e se arrependeu no segundo seguinte, Carla era apenas uma menina, não merecia ouvir esse tipo de coisas de uma velhinha infeliz com a vida.

— Por isso mesmo é que você tem que aproveitar. Eu brinco todos os dias, com a minha mãe, de pique esconde. Você também tem que brincar e eu não acho que você vai morrer. Eu também não, vamos todos sair daqui. É o que minha mãe diz para mim antes de ir dormir, que logo eu vou estar fora daqui brincando na escola com os meus amigos. Vem, minha mãe vai adorar conhecera senhora. — a pequena menina pegou na mão da senhora e a levou hospital adentro. Ela se comunicava, mandava beijo para todos enquanto ainda arrastava a senhora, que não saia do quarto desde que descobrirá que tinha câncer.

Havia um mundo novo fora do pequeno quarto da senhora Lucy. Ela não o conhecia, mas foi apresentada a ele por intermédio de uma criança de 10 anos. Elas se tornaram amigas, se viam sempre. Sem contar as horas em que brincavam de se esconder uma da outra ou então falar sobre as novelas que passavam à tarde na TV. E foi assim, que Lucy, aprendeu que poderia se divertir, mesmo estando doente, foi assim que ela viu que não precisava ficar presa em seu quarto, por que o mundo lá fora, era muito divertido e ela ainda tinha muito tempo para aproveitar tudo o que ele poderia.

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