O prólogo, a história e a esquina da poesia

Por: Wellington França

PROLOGO

Metralhadoras tocando o hino da morte marcado pelo tambor das granadas tornam-se eco do passado. Manos, manas e menores, bandoleiros e soldados pobres tombados nas vielas atapetada de plástico vermelho com restos de pó garimpados por crianças. Pétalas de cinza pousando sobre mesas de bar, lembrando corpos de vítimas queimados pela crueldade humana mais sombria… Cedem lugar aos soldados cidadãos querendo ensinar artes e lutas para crianças. Jovens ensinando pais a materializar projetos. Trabalhadores sem trincheiras tricotando ideias reaprendem de igual para igual com intelectuais novos fazeres literários.

PONTO FINAL OU VÁRIAS EXCLAMAÇÕES?

W. atravessa a praça recém-molhada pela chuva que abre o 1º de maio de 2012. Mente inundada de conceitos apreendidos nos encontros da FLUPP PENSA.

Contar uma historia criada na Cidade de Deus com final feliz. Arte se sobrepondo ao fato. Construir e apresentar os personagens motivando e surpreendendo o leitor com grande final. Atenção na coerência dos tempos verbais.

Verossimilhança… Praticando o desapego sociológico em busca da genialidade. Editar como numa carpintaria tendo urdidura! O que falta?

A HISTORIA

Chuva prevista fez intervalo para alegria geral.

Mesas e cadeiras emprestadas do distante Bar do Bill arrumadas na rua em frente do Tico’s. DJ Fulano e amigos estiram lona entre postes.

Um morador que assinou o abaixo-assinado, forma de consulta popular indicada pela UPP SOCIAL, assiste, elogia e agradece a chegada da poesia na esquina da Rua Carmelo com a Estrada Edgard Werneck.

A historia de ler e fazer poesia iniciada pela juventude dos anos setenta é reescrita por jovens e veteranos às margens do terceiro milênio.

Caminhada nas vilas da CDD nos dois dias anteriores ao evento encontra e revela ao mundo crianças lendo o fanzine.

Assistir a artista Monica Rocha, exultante, capturar detalhes em filmes. Testemunhar a Viviane falando: – Cara! O que fizemos foi revolucionário! Singular e comovente.

O protótipo de lançamento (produção independente de trinta exemplares) do livro TEMPORAIS de Wellington Guaranny, em outubro de 2010 foi pontual. Chamou, no entanto atenção da parceira do RJTV, Viviane de Sales para iniciarem juntos a retomada do movimento literário na Cidade de Deus, com o sarau POESIA DE ESQUINA em novembro de 2012 e com o fanzine que divulga o evento e publica textos dos poetas que participam do SARAU.

O encontro de duas gerações separadas por três décadas legitimado por poetas e amantes da arte de todos os cantos e centros do Rio e Grande Rio.

O BONDE

Numa ponta, Ana Beatriz com oito anos, na outra D. Tuca, quase oitenta. No meio, Ricardo, DJ Fulano, Viviane, Rosalina, Wellington.

Numa avaliação foi dito sobre o final – Antes, acabava com pessoas saindo. Neste, acabou porque NÓS encerramos.

No encerramento foi dito com aplausos: Nós não fechamos a rua para realizar um sarau. Abrimos a rua para a Poesia.

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