Lição de Vida

Por: Jocelene Ormond

Os jurados da corte da Califórnia nos EUA, foram conduzidos à sala secreta para a votação. Depois, o Juiz voltou ao plenário para realizar a prolatação.

─ De acordo com as provas materiais e testemunhais apresentadas, o júri decidiu, por unanimidade, que o réu é culpado por depredação de patrimônio público, de acordo com o artigo 163, II, do Código Penal. Sendo assim, o Sr. Roberto Borges Santos é condenado à pena de 2 anos e 11 meses de reclusão pelo crime cometido, porém, por ser réu primário, ter bons antecedentes e este ser um delito passível de ter sua pena convertida em prestação de serviço, fica o réu condenado à prestar serviços no asilo Cristo Rei três vezes por semana, com duração de 3 horas diárias, durante o período equivalente a pena. Será necessário se apresentar periodicamente para avaliação da justiça.

Roberto saiu do tribunal acompanhado pelos pais.

– Puts que furada! – disse Roberto.

– Espero que dessa vez você aprenda a lição! – disse sua mãe.

– Eu só tenho 14 anos, lembra? Eu não tenho saco p’ra gente velha.

– Problema seu! Pensasse antes de fazer suas burradas – disse seu pai.

No dia marcado Roberto estava no asilo acompanhado de sua mãe. Quando chegou foi conduzido até a secretaria e assinou o livro de presença, a funcionária explicou que ele teria que cumprir sua tarefa sozinho, e, que sua mãe poderia esperar por ele na secretaria ou voltar mais tarde para lhe buscar. Logo após o levaram até a uma grande sala onde os idosos se distraiam. Ele ficou parado observando o ambiente e após alguns minutos caminhou até um senhor que estava sentado lendo jornal.

– Boa tarde, meu nome é Roberto.

– Boa tarde, meu nome é Ivo.

Ficaram calados por algum tempo, até que Ivo puxou conversa, perguntou sobre seu colégio, suas atividades extra-curriculares, seu cotidiano. Paralelamente também falou de sua vida. Lhe disse que havia trabalhado como piloto de avião, que não tinha filhos, e, que após a morte de sua esposa como não tinha nenhum familiar que pudesse cuidar dele teve que se mudar para o asilo.

Surpreendentemente, Roberto descobriu inúmeras afinidades com Ivo: leitura, jogos, futebol. Aprendeu coisas novas: como jogar xadrez, jogar dominó, brincar com pião e ouviu histórias de um passado distante de sua realidade. Em contrapartida também ensinou muitas coisas a Ivo: lhe ensinou como usar um tablet, ipad, e tantas outros aparelhos tecnológicos.

O que inicialmente havia sido imposto como penalidade, aos poucos foi se tornando uma atividade prazerosa. Com o tempo Roberto ganhou mais um parente: o vô “Ivo”.

Nas datas comemorativas Ivo passou a sair asilo e ir para a casa da família de Roberto. Quando terminou o período de prestação de serviço, o asilo ganhou um voluntário efetivo por escolha própria. Roberto gostou tanto da experiência que resolveu continuar o trabalho, todos os dias chegava pontualmente no horário, ajudando, dando assistência, lendo e conversando com os idosos, enfim, Roberto ganhou novos velhos amigos.

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