Declaração n° 26

Por: Marcelle Abreu

2 de julho de 2009. Para muitos: um dia comum, porém para Marcelle: um dia mágico. E não poderia ser diferente. Ela que é romântica, sonhadora, vive a buscar uma forma de surpreender Felipe, seu namorado, estava a preparar mais uma de suas declarações. E essa tinha um motivo especial: dois anos de namoro.

Naquela manhã Marcelle acordou inspirada e confiante. Ela estava certa do que iria fazer, mas precisaria de alguns amigos para que tudo desse certo. E não perdeu tempo, os convocou e combinou às 18h, na sua casa, que como a de Felipe se localiza em Nova Iguaçu, no bairro Califórnia.

O plano era o seguinte: 26 amigos + um texto = declaração. Depois de compartilhar com os amigos a ideia e de contar com eles, ela se dedicou a escrever o texto, que foi dividido em 26 corações recortados sob medida.

26 é o número de esquinas do ponto de ônibus, em que Felipe solta todos os dias ao voltar da faculdade ou trabalho, até a sua casa. É isso mesmo que você está pensando: com 26 esquinas + 26 amigos = textos completo, dividido em partes ao longo do caminho percorrido por Felipe.

O dia voou, talvez pela ansiedade dela em ver tudo acontecer, e às 18h seus amigos se encontravam em sua casa, que se encheu de alegria, descontração e muita euforia. Em meio a risadas, pegaram os corações e seguiram. Já era noite quando saíram e por isso Thiago Dib, um dos amigos, levou uma lanterna, que, eu diria, deu um toque especial.

Como esperado, Felipe soltou do ônibus às 18:30h. Foi recepcionado por Dib, que logo entregou um bilhete que dizia: “Não faça perguntas. Apenas o acompanhe. Te espero no final. Te amo muito”. Enquanto tudo corria bem no início do trajeto, Marcelle se descabelava no final.

Ela que planejou ter o encerramento na casa dele, em que seus pais e irmã a ajudariam com as placas que traziam o seguinte dizer: TE AMO, cada letra em uma placa de 1m, se viu perdida. Devido à violência e pouca iluminação, sua família afirmou ser maluquice ficar na rua. Tristeza, desespero, desolação.

Mas Marcelle se recompôs, tomou fôlego e saiu em disparada, afinal Felipe estava a cainho e ela precisava agir rápido. Fez algumas ligações para saber onde ele estava e, suada, cansada, com olhos buscando uma solução, parou onde estava Tafany, a amiga que se encontrava na última esquina.

Tafany tratou de acalmá-la e, logo foi tomada por uma onda de timidez. Marcelle estava chamando as pessoas de um bar próximo para participar de sua declaração. Antes dessa decisão, com a movimentação na rua, os moradores já se reuniam e tentavam entender o que estava acontecendo.

E depois de Marcelle convocar cinco pessoas, que amaram a ideia, só multiplicou o número de espectadores, que como Marcelle, ansiavam pela chegada de Felipe. Na janela, nas calçadas, nos muros. Havia gente em todos os cantos, e em pouco tempo, junto aos amigos, Felipe chegou. Recebido com palmas e gritos, trazia nos olhos lacrimejados a felicidade e certeza de que era feliz e amava Marcelle, que suspirava ter conseguido.

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