Antônia

Por: Mauro Campos de Oliveira

Este relato, comovente, não difere do exemplo de milhares de Brasileiros que, mais que viver na “corda bamba” está a viver complicadas situações; e muito além, que estancar o sangue de feridas que podem deixar cicatrizes na pele; é o labirinto de experiências que suas mentes, têm que desvendar ao longo de suas existências.

Antônia, imigrante, cheia de planos felizes; casada, cinco filhos, esposa de um operário que, não trazia consigo, grandes aspirações. Antônia sabe o que é fome, sede e humilhação, em uma relação conflitante, que culminou, com a separação deste casal.

Não acostumada, a grandes confortos, vivia em uma casa de estuque, em um terreno com declive que, quando chovia ficava todo alagado. Oh Manoel! Não te comoves em despejar Antônia, levando dois de seus filhos? Entregando-a própria sorte? Antônia busca abrigo na quitinete da vizinha, enquanto tem os outros três, divididos na casa de parentes.

Só do lar, agora vai ter que lidar com outras situações. Arruma emprego de cobradora, começa a ralar. Pega por temporal tem o uniforme a secar, na roleta enquanto trabalha e,quando tem muito passageiro, não para no ponto final; não faz um lanche, não bebe água mineral.

Pertinente, aluga uma meia água. Os filhos já com poder de decisão, voltam para ela(agora, sem a presença de Manoel, consegue reorganizar a família). Atônita, ao ver o antigo terreno de seus filhos, depois de abandonado, começar ser invadido; enfrentou a situação, improvisou dois comandos e reconquistou o lote;voltou a estudar para esquecer a época em que pelo ex marido era chamada de Antônia Mobral.

Passada esta fase, eles agora tem que lidar com outro problema, o das inundações, uma vez que os dois comandos foram feitos na parte mais baixa do terreno, a cada temporal, a água subia na cintura.

Uma ocasião a água subiu tanto, que quando estava chegando ao pescoço, seus filhos quebraram o muro que construíram nos fundos do quintal; foi o bastante para que um homem aparecesse com uma arma em punho, na maior vontade de resolver a situação, também do seu jeito; graças à intervenção de um vizinho juiz o pior, não aconteceu.

Foi quando a prefeitura começou a urbanização da rua, perguntou aquela família se aceitavam o desafio de tirar da rua todo o aterro que seria removido; aceitaram, pois ali estava a oportunidade de resolver o problema definitivamente.

Podiam agora começar a sonhar com uma casa que viesse satisfazer suas nessas cidades, uma vez que com o aterro os dois comandos, ficara mais de um metro abaixo do novo nível, mangas das camisas, arregaçadas,o trabalho continuava,igual a todas as outras gentes, também fizeram o muro da frente,formando suas identidade, conheciam pela primeira vez o que é privacidade, seus filhos, começam a se profissionalizar e a renda da família aumentar.

Antônia, persistente em seus sonhos, como milhões de outras brasileiras, mulher de fibra. Agora com sua ampla casa construída, aposentada, ensino médio, devidamente alfabetizada, quando cai o temporal, assiste tranquilamente, da varanda, feliz por sua dura, porém vitoriosa jornada.

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