Trem sem destino

Por: Thabata Cristina Pereira Real

Tudo começou quando ela entrou para o Ballet de Santa Teresa. Sua avó com os olhos cheios d’água suspirava de alegria. Deixando-a naquele lugar cheio de meninas com o penteado esquisito. Cabelos tão esticados, que não levantavam nem um fiozinho! Usavam também umas meias-calças e sapatilhas, tinham um jeito bonito de andar. Achava engraçado aquilo tudo. As meninas e a emoção da avó, que dizia ta feliz, e que aquilo era muito precioso! Perguntava-se precioso como? Quando veio uma moça muito simpática, dar “boas-vindas”. Ela gostou do lugar.

Exatamente naquele momento, uma menina gritou: – Tia Vânia! A gente vai ter aula hoje? Descobriu ao mesmo tempo o nome da moça e o que faria ali: aula! Aula de quê? Ao entrar na sala, uma musica suave ao fundo. ”La vem o trem sem destino” e como a música de Villa-Lobos lá foi à vida rodar, algo mudou depois de entrar naquela sala. Aquele lugar era extraordinário, diferente do que se via. Um espaço onde ela podia ser bailarina, escritora, dançarina de flamenco, atriz. Ela e outras crianças podiam ser tantas, tantas vezes quisessem.

Dizem que alegria de pobre dura pouco, e a alegria dos pobres que ficavam no Ballet (ah, era assim que eles chamavam o espaço, o castelo) durou pouco. Uma obra irregular, nenhuma fiscalização da prefeitura e… O muro caiu. Não o muro que nos separava das coisas bonitas, aquele muro que tenta separar tudo de tudo, não, não foi esse. Foi o muro que aterrou o sonho da bailarina.

Ela resolveu escrever uma historia sobre o sonho que teve. Nesse sonho ela falava que como era bom ver a vida rodar, ver o trem sem destino, sempre a sonhar… Ela escreveu três copias, e colocou para quem me lê.

Uma moça, um moço e um senhor pegaram a carta. O senhor queria ler, mas, esqueceu dos óculos e acabou esquecendo no banco. O vento levou a carta e o gari varreu para o lixo. A moça começou a ler, mas, como falava de balé ela ficou chateada, sempre quis ser bailarina, ate foi para escola de dança, mas, era gordinha demais e com raiva rasgou a carta.

O moço leu e fez um rap. A música fez sucesso. Todo mundo queria saber de onde tinha saído aquela historia. Ele disse que tinha lido em uma carta, e uma repórter esperta procurou saber quem tinha escrito. Puseram anuncio, fizeram ate promoção de rádio. Acharam a bailarina, e ela apareceu mais triste, mais abatida, parecia sofrer de sonho perdido…

Contou desse lugar e mostrou outras cartas. Perceberam que a bailarina era mais escritora que bailarina, que as letras dançavam em suas mãos, e que as coreografias que criava daria um bom livro. A bailarina escreveu sobre sonhos perdidos e sonhos encontrados. Seu primeiro livro se chamou: O sonho da bailarina. Ela não vendeu muito, mas o dono do muro ficou comovido, e consertou o muro.

E lá foi a vida a rodar… lá vai o trem com o menino, lá vai a vida a rodar…Correndo entre as estrelas a voar… No ar no ar no ar…

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