Os lindos olhos de Lucinha

Por: Darlan de Oliveira Grossi

Ei de me lembrar enquanto viver dos lindos olhos que se escondiam atrás de cabelos esvoaçantes contra o vento, esses olhos tinham dona, essa dona Lucinha.

Ela era minha vizinha e o contato que tinha com ela era mínimo eu sabia que ela morava com dois irmãos e o padrasto, eles eram os caras mais barra pesada do bairro aquele que ousasse olhar para Lucinha tomava pancada, isso desde quando sua mãe morreu quando ainda tinha 15 anos, seu padrasto passou a escravizá-la e com o tempo Lucinha deixou de fazer o que gostava, deixou as amigas e até mesmo a faculdade, o grande sonho de sua mãe era que ela fosse medica, e Lucinha passou na faculdade de medicina, mas logo abandonou, seus irmãos sufocavam sua liberdade a pedido de seu padrasto.

Apesar de meu contato ser mínimo isso não quer dizer que eu não a admirasse, ela era linda e eu não poderia deixar sua vida terminar assim.

– Lucia o que faz aqui? E porque esta chorando?, perguntei a Lucia, e ela respondeu.

– Você tá me seguindo?

Intuitivamente a respondi: – Não.

Lucinha pediu pra eu ir embora eu perguntei: – Por quê?

Lucinha respondeu: – Porque vou ser feliz, vou encontrar minha mãe.

Eu disse: – Você pode não encontrar ela e ser infeliz para o resto da vida, você se importa se eu for com você?

Depois que fiz a pergunta sentei na beira da ponte e peguei em sua mão dizendo: -Se você pular eu pularei junto.

Lucinha: – Por que um idiota acabaria sua vida por causa de uma infeliz?

Respondi: – Por que o idiota ama a infeliz e quer faze-la…

QUE PORRA É ESSA?, perguntou Lucio.

Os irmãos de Lucinha sem obter respostas nos puxaram na marra e levando Lucinha para o carro. Eu vi que o pai dela estava ao volante do opala amarelo gema e suas palavras foram batam nele até ele sentir o gosto amargo de nossa raiva.

No dia seguinte acordei medicado e em observação os mesmos que me bateram disseram na emergência que me encontrou desacordado na rua. Quando retomei a consciência os médicos me fizeram perguntas confirmando e eu poderia dizer a verdade e nunca mais ver Lucinha ou confirmar a mentira dos dois babacas e continuar tendo eles como vizinhos.

Passei dias olhando Lucinha através da janela de meu quarto. Toda vez que encontrava Lucio ou Júlio os irmãos de Lucinha eles sempre me perguntavam com sarcasmo na voz “Fala ai cara como tá os ferimentos?”.

O pior é que meus pais deram o maior credito para os dois sujeitos que me ajudaram na rua. Certo dia quando eu estava chegando a casa vi que havia um incêndio, pra minha surpresa era a casa de Lucinha ela veio ao meu encontro dizendo.

Enrique minha casa pegou fogo, meu padrasto morreu queimado e meu irmão ainda esta lá dentro. Nem pensei duas vezes não poderia deixar Lucinha chorando. Tratei de corre alguns tentaram me segurar desviei de um e de outro e entrei o irmão dela não parecia ser tão valente sufocado com fumaça em um ato de heroísmo consegui arrastar o irmão dela pra fora enquanto o outro já estava na ambulância.

Com o tempo os irmãos de Lucinha se desculparam, Ela voltou para a faculdade e me chamou pra sair. É claro que aceitei.

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