Mais uma família feliz

Por: Ricardo Dias

Tudo começou a 59 anos, quando Regina, naquela época menina de 5 anos de idade, perdeu sua mãe. Simplesmente desaparecera e não deixou notícias.

Vida correu. Muitas dificuldades, pois logo que acontecera o fato, seu pai teve outra mulher. Como de costume, madrasta nunca supre o lugar de uma mãe. Açoites, castigos aconteceram. Sofria assim, Regina, Marlene e Marli, essas duas últimas, gêmeas recém-nascidas, de apenas quinze dias de idade.

O tempo foi passando, as crianças crescendo, mas sem o amparo de uma mãe do lado a dar bons conselhos, a colocar pra dormir cedo ou mesmo dizer um não na hora certa. Mocidade chegou relacionamentos conturbados, mas bem vividos. A pós, a fase adulta: alguns ideais se realizaram, com o prazer e a sensação de superação.

Novos amores surgiram. Agora tinham seus filhos pra se preocupar. Tinham uma vida nova pra se dedicar. Já não importava tanto a falta que fazia a vida passada. Os sonhos agora eram outros. Carências, agora eram de seus filhos. Embora, nunca tenham deixado de pensar em sua mãe, que, todavia ausente, havia sempre a esperança de um dia poder encontrá-la.

Os netos surgiram, lindos netos, para completar a alegria da casa, e que, aliás, agora podia dizer que tinha uma casa. Sua casa! Dias se passaram, na verdade foram anos. Para ser mais exato, 57 anos quando numa segunda-feira à tarde Regina recebe uma ligação e ao telefone, uma voz no fundo se anuncia sendo sua sobrinha, filha de sua irmã por parte de mãe, esta agora, com outra família.

Sim, reaparecera a mãe que tanto tempo havia sumido. A mãe que em tantos sonhos se fizera presente, que em tantos medos estivera na frente para defendê-la, mesmo que só dentro de sua cabeça. Ela não aguentou falar ao telefone e passou para seu filho, que mesmo forte, vibrou ante a nova ideia de ter uma avó, que nunca tivera antes na vida.

Ele foi o intermediário, mediou toda a conversa até o encontro final, que aconteceu no natal. Todos os preparativos foram feitos, presentes comprados, embora o maior presente houvesse sido ela, dona Olivia, mãe e avó. O encontro foi muito lindo, presentes trocados e abraços sentidos. Duas famílias separadas pelo destino e unidas novamente.

Dona Olívia havia sumido, pois seu marido era bígamo. Após descobrir, seu pai, que trabalhava na polícia, mandou prendê-lo. Duas semanas depois ele morreu, e seu ex-marido foi liberado. Ele jurou matá-la e ela com medo, fugiu. Depois de um tempo, tentou contato, mas ele não deixava, então ela precisou se virar sozinha.

Casou com um Italiano que a aceitou já desposada. Teve filhos e outra família. Sempre quis o contato, mas não sabia como. Sua neta Priscila, depois de tanto tampo, teve a ideia de procurá-la pela lista telefônica, que achou alguns nomes parecidos e foi tentando. Na quarta tentativa, achou dona Regina. Finalmente mais uma família feliz e unida. Quem vos narra pode dizer isso com certeza, pois que foi ele quem fez a intermediação entre as duas famílias. Eu sou o neto.

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