Final de filme

Por: Bartolomeu Barboza

Estando eu sem tempo pra nada além do trabalho free-lance que apareceu der-repente, sabe como é um artista pobre tem que pegar o que aparece, e levantar uns trocados.

Domingo, segunda, terça, quarta e quinta feira, dias e noite ocupado com trabalho, este de hoje é um evento de música. Tento na falta de tempo pensar um bom enredo, em pleno ônibus, tanto na ida como na volta, penso em uma boa história de meu bairro. Até que nesta manha primeiro de maio, uma terça feira, feriadão, começo rabiscar pensamentos a respeito da paisagem que vejo da janela do coletivo, que saindo de Bangu às sete e cinquenta da manhã seguindo para à Lapa, vou trabalhar na montagem do palco para o show do Casuarina, e a inauguração da nova Praça da Lapa, aquela do bondinho.

Pela segunda vez se tenta realizá-lo, pois estava marcado pra a segunda trinta de maio, mais a chuva não permitiu, e ainda mais destruiu nosso trabalho de senário de palco, em fim, tudo de novo. Tento resistir ao cansaço de quatro noites dormindo depois das uma e meia da madruga, sabendo que já não sou tão jovem para tamanho esforço, e consciente de que terei mais duas noites nesse pique, entendo que o melhor final feliz é terminar bem essa labuta.

Da janela do “busú”, contemplo a cidade vazia, nestes dias e noites chuvosas. E percebo que o Rio de Janeiro de meu tempo, esta muito diferente, bem mais organizado, é perceptível aos meus olhos já que dos anos 80 para cá, ando pelos bairros dessa cidade linda, porém desigual.

Pela Avenida Brasil, Bangu, Irajá e Penha, o coletivo patina na água da pista. Ramos, Bonsucesso e Caju, poucos passageiros dormem sentadinhos em suas cadeiras. Rodoviária, Estação da Leopoldina, e eu ouvindo música saída do fone de meu celular. Piranhão, Central do Brasil e Avenida Rio Branco, pronto cheguei ao centro da cidade.

Como em meu rádio, “cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos”, observo seus edifícios, “sonhar os sonhos dos justos”, e defender meu pão, sabendo que meus passos estão distantes “do Leme ao Pontal”, caminho pelo Rio seguindo para a Lapa nesta manhã fria e chuvosa, mais feliz da vida com a mensagem que enviaram para meu o celular, “A Géssica passou em segundo lugar para História na UERJ”, lei e emociono-me.

Caminhando, percebo lágrimas em meus olhos. Por quê? Sabe quem é ela, uma menina linda, aluna do Pré-Vestibular Comunitário de Vila Aliança, e estou produzindo um filme sobre os Dez aos de existência desse projeto.

Para mim é como se o Vasco da Gama tivesse ganhado o jogo na final contra o Botafogo no último Domingo, são coisas como essa que me motivam a enxergar a vida como um final feliz de filme da sessão da tarde.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s