Esta é a nossa história

Por: Flávia de Souza Machado

Sozinho na rua. Parado em um canto. Todo encolhido. Tremendo. Chorando de fome e saudade do seu pai.

Essa foi à cena que Bete viu ao cruzar a esquina da rua que dava para o Shopping próximo a sua casa. Imediatamente, Bete se impressionou pelo barulho do choro de José. José tinha nove anos, pele negra, era menino de rua. Bete já havia percebido a sua presença, já tinha notado que aquela esquina era certamente uma das moradias do menino. Umas das moradias porque já tinha o visto em muitas outras esquinas, em outras ruas como se ele estivesse montando a sua própria casa.

José sempre carregava uma espuma que fazia de cama, duas bolsas de mercado onde ele levava algumas coisas que mais pareciam trapos velhos sem importância. Neste dia, Bete resolveu se aproximar do menino e procurou conversar. Descobriu que ele se chamava José, tinha somente nove anos e que já estava nas ruas há dois anos.

Bete conversou com o menino por pelo menos meia hora. Ele não era um simples garoto de rua, era um menor abandonado e que vivia a espera do aparecimento de seu pai. Sua mãe havia falecido depois de dar a luz ao seu irmão. Depois que sua mãe morreu tudo realmente mudou em sua humilde vida. Seu pai o abandonou, era o alcoólatra e, além disso, era viciado em crack. Certa manhã, ao acordar, José encontrou, do lado do colchão onde dormia um bilhete de seu pai. Neste bilhete, o pai explicou que tinha saído em busca de um emprego. Deste dia em diante, José nunca mais viu seu pai. Triste e preocupado, José resolveu ir para as ruas na expectativa de um dia reencontrá-lo.

Bete naqueles poucos minutos conheceu a história de José. Na verdade, José chorava de fome e de saudade de seu pai. Bete comovida com toda aquela história levou o menino para uma instituição que abrigava crianças abandonadas. Bete não sabia se essa seria a melhor opção para a vida do menino. Ela só não podia deixar aquela criança continuar nas ruas. Aquelas lágrimas haviam a emocionado profundamente. Ficaram amigos e, de tempo em tempo, Bete ia visitar José, acompanhando assim seu crescimento.

José cresceu, estudou, se formou. Quis ser professor, seguir os passos daquela que o orientou. O tempo passou e José reencontrou Bete, naquela mesma esquina, onde se conheceram. Bete, bem mais velha, mas com o mesmo ar sereno. José trazia consigo as anotações que fizera durante o tempo que passou no abrigo. Nestas anotações estava registrada a importância de Bete em sua vida, já que tinha sido ela a grande protagonista da sua história. Bete o reconheceu e na mesma hora se abraçaram. José entregou a Bete as anotações que trazia e disse: – Esta é a nossa história. Bete ficou surpresa e emocionada com tamanha gratidão.

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