Trocados para inteirar

Por: Alessandra Martins

Eu havia saído alguns minutos mais cedo, pois ameaçara cair um forte temporal, a tarde já meio escura e em um ponto deserto, avistei o 171 que chegara meio cheio e logo fiz sinal. Parando exatamente na minha frente em um só impulso entrei no ônibus, a chuva começara…

Ufa, por pouco não me molhei. Com muita força e incessante a chuva caía…

O ônibus seguiu enquanto na frente eu procurava o dinheiro da passagem na bolsa. Já desconcertada com as voltas e freadas do ônibus e a caras curiosas dos passageiros que me olhavam, pedi ao cobrador que liberasse a roleta para que sentada procurasse o dinheiro.

E liberou… Sentei e abri a bolsa novamente, olhei primeiro um bolsinho interno que de costume deposito moedas, mas nada lá encontrei, depois olhei a carteira com diversos cartões, menos o dinheiro, foliei a agenda e o caderno que em minha bolsa estara, mas nada encontrei, já um pouco nervosa, meu rosto suava, o homem que estava do meu lado me olhara de banda, olhei mais uma vez dentro da bolsa, mas nada do bendito dinheiro.

O cobrador, um velho mal-humorado e ranzinzo, já me olhava desconfiado, foi quando me dei conta que eu estava sem dinheiro algum. Em meus olhos veio a vontade de chorar, mas no mesmo instante segurei as lágrimas e tentei falar com passageiro ao meu lado. Ele, coitado! Pobre trabalhador assalariado, tentou me ajudar olhando em seus bolsos, mas só tinha um cartão de bilhete único e 50 centavos, que me ofereceu para inteirar.

No mesmo instante bateu em mim a auto-piedade e uma lágrima teimosa fugiu dos meus olhos. Tentei pensar rápido em uma solução, mas nada vinha em minha mente, já que eu teria que pegar um outro ônibus depois, isso me deixava mais preocupada. Até que levantei e fui tentar explicar ao cobrador a situação, mas ele bem rabugento e me disse que não poderia fazer nada e que eu teria que pagar porque rodei a roleta. Foi quando em um súbito, não sabendo de onde, mas surgiu a coragem e olhei para todos aqueles passageiros sentados e anunciei o ocorrido…

-Por que não falou antes, minha filha??

Gritou uma senhor no último banco.

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