O varão da mamãe

Por: Silvana Bahia

Marina acorda e entra no facebook. Uma mensagem de dona Antonia (sogra) lhe chama atenção:

Antonia Amaral

Varoa, estou muito preocupada! O João não chegou em casa desde que saiu daí ontem. Você sabe dele? Passei a noite toda orando pedindo ao Senhor para que meu filho chegasse, liguei para o seu celular, mas só dava desligado.

Mari P.

está digitando…

JBom dia, dona Antonia!

Antonia Amaral

está digitando…

Cadê o João?

Mari P.

está digitando…

Dona Antonia, o João deve estar chegando… Ele acabou passando na casa do Angelo, mas choveu o dia inteiro, acabou e energia e ele ficou por lá.

Antonia Amaral

está digitando…

Hoje tem um culto importantíssimo na Igreja! Ele não pode deixar de ir… Esse amigo tem telefone?

Mari P.

está digitando…

Eu não tenho o celular do Angelo, mas pode ficar tranquila que vou tentar achar alguém que tenha o número.Vou pedir pra avisar ao João que a Jsenhora está esperando por ele, ok?

Antonia Amaral

está digitando…

Depois que o João começou a namorar você, ele mudou muito. O que eu vou dizer na igreja? E o pior é que a rua está perigosa, tem um monte de gente fazendo macumba para aquele diabo que chamam de guerreiro. Fico preocupada com meu filho! Assim que falar com ele me avise! Estou orando para que ele chegue logo!

Era 23 de abril, Dia de São Jorge. João era devoto de Ogum, mas sua mãe não podia sonhar que seu filho, um varão de berço, era na verdade um umbandista. O terreiro em Brás de Pina estava em festa. Mas João não tinha como falar para mãe que não iria ao culto na pequena igreja da Mem de Sá, onde dona Antonia era membro e símbolo de uma varoa legítima. Na verdade, João levava uma vida religiosa dupla: varão para a mãe e “umbandista por vocação”. Era um legítimo Ogan.Prometera a mãe que iria à igreja com ela no domingo cedo, mas não teve coragem de ligar desmarcando. Na verdade, ele disse apenas que iria para casa de Mariana e ficou sem bateria, deixando a coitada esperando. Sabia que ela não ouviria seus argumentos e iria obrigá-lo a ir ao culto. Dona Antonia tinha muito preconceito com outras religiões e coube à Mariana enrolar a varoa, sem deixá-la preocupada, porque aquela mãe tinha uma fixação pelo único filho.

Mari P.

está digitando…

Tá bem! Continue orando que ele chega.

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