O que a vida quer da gente

Por: Geórgia Ramos

E isso, mesmo que escrito, lhe soou como uma voz difusa chegando como a última parte de um eco.

Escutava a lágrima que não descia agarrada na retina gritando insultos a ela que a segurava demais.

Viu um velhinho bem pequeno que carregava uma cadeira vermelha bem grande pelas paredes do quarto.

Carregava e sentava ora aqui (no abajur) ora ali (em cima da cama) ora não (no pé da janela que abria e fechava cada vez mais forte) – a janela pulsava como um coração que acabara de receber uma notícia-pancada. E a notícia reverberava na janela que ela sentia.

Pensou nas vezes que matava no peito a dúvida, driblava uma dor com o pé direito, a insegurança com o pé esquerdo, marcava uma falta bem de frente pras traves, na área e na hora de resolver uma jogada e depois saía ensaiando (ou fingindo ensaiar) uns passos de dança.

Implorou que Waly (o Salomão) lhe enviasse uma navilouca ali naquele agora, que era pra conseguir estar em todos os lugares ao mesmo tempo – menos naquele.

E no fim daqueles 10 segundos de mundo inteiro, um “camarada” mineiro a abraçou, mexeu suave em seus cabelos ventados e lha apartou dela. Daí, ela ouviu uma canção que esse “camarada” – que (a/en)tendia pela graça de Guimarães Rosa – cantava em prosa-palavra-conselho-e-poesia-de-salvação: “o que a vida quer da gente é coragem”

[…………. retomou a conversa…………]

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