Mão ao bolso

Por: Ricardo oliveira

E assim abandonado de mim

Cheguei ao fundo do poço me doando por inteiro,

Recusei a culpa em ser um homem de mochila de pedra

Caminhei intangível, Irredutível ao próprio egoísmo fui um

Luxuoso inquestionável do miudismo.

Estéril de ingenuidades Doei meu mundo, em troca nada recebi,

Hoje entrego meu corpo à rotina de abrir os olhos

Para mais um raiar do dia no calendário atemporal do meu ego ferido.

Encarando minha miséria e minha solidão Sinto a consciência desatinar.

A condução que se aproxima poderia me levar longe das frustrações,

Pena a realidade ser além dos sonhos e acorrentar meus pés ao falso ideal de seguir em frente.

Um sinal e lá está o degrau, esperando alcançar mais um patamar do realizar.

Olhos exauridos complementam faces gastas pelo tempo, reflexos do fardo de cada ombro erguido.

O sono digladia os raios de sol a fim de permear os corpos vivo-mortos que ali transitam um olhar em especial

vêm me encarar chegou a hora de pagar a taxa do transporte sem reclamar o aumento que todo ano vem usurpar

o pouco que nos resta pra chorar.

Mão ao bolso me ponho a procurar esquerda, direita, vice-versa onde o dinheiro está?

A displicência dá espaço à descrença, como pude não notar que me faltava o soldo para pagar?

– Já vou pagar. – Declaro ao passar.

O cobrador não parava de me fitar, tinha de sinalizar:

Por um segundo me vi tragado pelo abismo da vergonha, entre olhares de desprezo e indiferença.

– Senhor, não tenho dinheiro para pagar.

Ensaiando rispidez veio a declarar não tenho o que fazer o senhor vai ter de descer.

Ruborizado, não ouso contestar, rumo a porta me ponho a andar, o tempo parece congelar ao me fazer lembrar das vezes em que dei até o que não tinha a quem hoje não pode me ajudar.

Já nos degraus a descer ouço alguém dizer:

– Senhor não precisa se preocupar a sua passagem eu vou pagar.

Acanhado sem muito a falar, me resta agradecer e pensar que mesmo sem compreender alguém resolveu quebrar as amarras da inércia pra me ajudar.

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