Laptop cor de rosa

Por: Jeferson Pedro

O santo de Michele nunca bateu com o da sogra, mas ela não esperava que ao ligar o computador, receberia uma mensagem da megera. Com o curso de Informática no morro, Dona Sônia não saia da internet.

Ela estava preocupada com o “desaparecimento” do filho desde a noite anterior, quando deixou a casa da namorada, e chamou Michele para uma conversa.

Surpresa com a notícia, a jovem ficou paralisada com o laptop cor de rosa aberto. Como numa investigação policial, Michele transformou-se em detetive e lembrou os passos de Pedro pelas ruas, vielas e becos da favela, na esperança de descobrir onde estaria o namorado.

Enquanto respondia às mil perguntas da sogra nervosa, olhou para o calendário. Era domingo e Pedro, presidiário em liberdade condicional tinha que voltar ao presídio antes de meia noite. Avesso a despedidas, o jovem conformado com sua sina, se retirava discretamente e partia. Até obter a liberdade definitiva, fazia as malas e voltava para a prisão sem choro, nem vela, nem despedidas.

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