É você, Capitu?

Por: Luiz Fernando Pinto 

Estou certo de que se não tivesse ido ao quarto naquela noite não teria acontecido.

Apenas não era possível fazer nada enquanto meus pais jogavam biriba na sala. Entre um cigarro e algumas dúzias de palavrões eles me chamaram umas duas vezes para fazer parte da jogatina, lembro-me que rejeitei três ou quatro vezes.

No quarto, parei de frente para o computador, algo me dizia que não era uma boa ideia liga-lo, na memória me vêm as palavras de mamãe “Esse moleque é teimoso feito o safado do pai”, confesso que nunca contestei a mulher que me pôs no mundo.

Sento, ligo, logo vem o arrependimento, sigo em frente, automaticamente meus olhos percebem no canto direito da tela, algo em vermelho que não para de piscar, aquilo me incomoda, resolvo então verificar o pisca-pisca irritante. Aproximo-me o mais que posso da tela do velho computador.

O tic-tac do relógio de parede é responsável pela trilha do ambiente seco e escuro, meu mundo para, o relógio continua.

“Bentinho, me ligue urgente! A Capitu ainda não chegou. Cadê minha filha? Estou indo a policia!”

Tento fugir do que li penso em fazer companhia aos meus pais, aos palavrões e as cartas.   Logo meu pensamento foi interrompido pelo som do ranger da porta do quarto. O vestido caramelo, fita de cetim entre os cabelos, rosto angelical e olhos de mar. Não é preciso dizer que era Capitu que ingenuamente fugiu de casa.

– É você, Capitu?

– Bentinho!

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