Domingo de manhã

Por: Adilson Passos

Amanheceu um dia lindo! O sol havia expulsado a chuva e já começava mostrar os primeiros raios calorosos, aquecendo os corações dos que foram atormentados nas noites anteriores, pela falta de Érika. Bem cedo, o dia já prometia, e muitas pessoas após darem uma organizada em suas casas, faziam planos para passarem o resto do dia sob o sol nas areias escaldantes das praias. Aquele tempo nublado, definitivamente havia chegado ao fim e  como tudo indicava o verão estava chegando para ficar, e, como sempre, quem manda na cidade maravilhosa é ele, o reinado do sol. Lá pelas sete da manhã ele brilhou ainda mais para dona Nênia, no Curicica.

Chegou cheia de saudades, chorando e abraçando a avó Nênia, que não tinha cochilado a noite toda. Já sem forças, deprimida; estava recostada sobre um sofá na sala. Mas ao ver um movimento de pessoas saindo de casa, em direção à rua se esforçou ao máximo, levantou-se, num ímpeto de felicidade, ao ouvir a voz da neta, que chorando, conseguiu chamar alto e claro:

-Vó? Vó?

Esta mesmo com dificuldades, tomada por uma onda de alegria e emoção, se esforçou um pouco mais, e foi para a rua, direto para os braços da neta, numa vibração, que deixava com inveja da família, os mal resolvidos. Como seria bom se tudo tivesse um final tão feliz. Ela só estava com a roupa da escola um pouco suja e amassada, mas não apresentava nenhum arranhão e isto já bastava.

-O que houve? Onde você estava, menina? Quase nos matou de preocupação! Quer acabar com a sua avó, quer?

Cobrou dona Nênia, sem aquele tom enérgico de antes. Passando a mão sob os olhos da neta, limpando as lágrimas que teimavam em rolar no rosto. Abraçou-a forte e novamente  deu espaço para que esta respirasse e adquirisse forças para contar o que  tinha acontecido.

Érika se esforçava para puxar o ar, que faltava nos pulmões, e tentava falar fazendo grande esforço:

-Eu, eu estava no ponto do ônibus, da rua perto da escola, como faço todos os dias…

Engasgou-se, mas tenta e quase gaguejando, as suas palavras saem com dificuldade e não são completamente compreensíveis e continua falando:

-Aí meu pai…

Não conseguiu mais falar e foi, acalentada carinhosamente pela sua avó, sua irmã e sua mãe. As quatro permaneceram por um breve tempo abraçadas. Vendo que tudo parecia  estar bem, dona Nênia agradeceu a solidariedade dos amigos e vizinhos, que as acompanhavam naquelas horas tão difíceis. Vendo que tudo se encaminhava  para a mais perfeita harmonia. Ficaram muito felizes com o desfecho do caso; uns se despediram e foram embora, outros continuaram sendo solidários; e querendo os detalhes, para entender o que realmente teria acontecido. Mas o que importava mesmo, é que Érika estava bem.

-Graças a Deus!

Agradeceram todos. Mas Elisa a mais curiosa, pois ouvira a irmã dizer algo do seu pai, que ela também não encontrava, havia  muito, muito tempo mesmo.  Ficou uns bons minutos ali esperando que a mana recuperasse a sua força interior, e contasse os detalhes. Estavam abraçadas, deixaria aparecer um melhor momento para interrogá-la e seria prudente. Que fosse dentro de casa. Ao entrarem, não conteve por muito tempo, a curiosidade falou mais alto e manifestou-se logo:

– Érika! O que aconteceu contigo? E o pai, fez o quê? Érika! Cadê o pai? Onde você o viu?

One thought on “Domingo de manhã

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s