Arte da necessidade

Por: Everton Rodrigues

Atrasado as oito da manha correndo descendo o morro, garoando suando ainda piso no esgoto, cabelo encharcado entro no ônibus lotado, aguardo na frente enquanto o povo não desce, acidentalmente molho o motorista com a água que pinga dos meus dreds , sem falar nada motorista me mira muito bravo. “Desculpa” mas parece ser em vão.

Povo começa descer, o ônibus começar a esvaziar, reconheci algumas figuras no ônibus, inclusivo o Jhony foi o primeiro, “quando devemos alguém sempre é o primeiro aparecer”. Ao lado de Jhony estava meu vizinho que só reclama do meu radio alto, no fundo a esquerda em pé, estava a linda Gabriela meu único romance com o final triste.

Ela quebrou tudo em casa depois que encontrou-me aos beijos com sua melhor amiga, melhor amiga não era, pra ficar comigo ciente que eu estava com sua própria amiga. Decidir passar pela catraca, quando coloco a mão no bolso, percebo que estou sem a carteira, complicou minha situação, molhado motorista bravo, a cobradora também fiquei em cima dela o tempo todo, vou ter que pedi pra ela passar por baixo da catraca não tem jeito.

– Bom dia, preciso de uma gentileza, esqueci minha carteira estou atrasado pro trabalho posso passar por baixo.

– não, ficou aqui esse tempo todo, pra quando chega a hora de descer sair sem pagar!Não.

– Senhora não estou mentindo, olha aqui esqueci mesmo.

– Já disse que não garoto pede pro motorista.

– Motorista pelo amor de Deus preciso descer, esqueci minha carteira e já estou atrasado posso desce pela frente?

-Não, agente acorda cedo pra trabalhar, você ainda me molha, é que sair tipo rei, vai descer no final se quiser.

– Senhor preciso descer já passou meu ponto por favor.

-já disse que não ,se vira tem muita gente no ônibus, da os seus pulos .

“Que vergonha geral me conhece, mais isso acontece, não é nada inédito, vou improvisar com rap”

– Bom dia pessoal, não estou em uma situação legal, esqueci minha carteira quem pode me ajudar? 2 reais 1 real tanto faz, 50 centavos amanha na próxima viagem eu pago

eu já devo Jonhy que ta li, meu vizinho, minha ex, estão rindo de mim, mas isso pode acontecer com todo mundo, to indo trabalhar não sou vagabundo, motorista boladão, por favor alguém me ajuda na condução. “ meu Deus esse silencio, ninguém gostou” . Uma voz La no fundo gritou: Bravo, muito bom bravo, isso é arte, a arte da necessidade, bravo. Ouvir vários aplausos, meu vizinho que antes era chato apertou minha mão e ainda pagou minha condução.

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