A LIBERTAÇÃO ou ABRINDO AS GAVETAS

Por: Ana Laura Gschwend

Vera era mulher muito dedicada.  Acordava antes das oito todo dia, mesmo que a noite anterior tenha passado acordada praticando seu único vício: jogar buraco on-line. Naquela quinta-feira antes mesmo das 7:30h, ela acordou com um telefonema. Era Pedro, o diretor da escola estadual onde o filho trabalhava, dizendo que este não havia aparecido nem ontem e agora nem esta manhã, quando aplicaria um trabalho à turma. Vera deu uma desculpa qualquer e correu para o quarto do filho, se dando conta que Paulinho não estava e parecia não ter estado também durante a noite. Isso não era normal, pensou. E correu para a internet, tentando encontrar pistas do filho, que era professor de matemática.

Abrindo o face, Vera não encontrou nenhum recado dele, nem de sua irmã, Dani, que já saíra pro hospital, tampouco de Letícia, namorada há anos do Paulo. Onde inclusive, ele havia passado a noite retrasada, o que era comum até, mas não sem avisar. Imediatamente, Vera envia uma mensagem pro face de Letícia, que passa praticamente 24 horas conectada, avisando que Paulinho não aparecera desde que saíra da sua casa na manhã anterior.

Não passava das nove, a namorada já havia lido o aviso da sogra e fica desesperada. Não sabe se chora de preocupação ou se morre de raiva, imaginando onde o cínico poderia estar, já que saiu no dia anterior quando ela ainda estava na cama, dizendo que ia para o trabalho. O celular do rapaz não precisa nem dizer que estava lotado de mensagens na caixa postal, né?!

Lá pelo fim da manhã, Paulinho aparece com cara de quem aprontou, e a mãe aflita nem quer saber de nada nessa hora. Só abraça o filho, dando graças a deus.  Paulo explica que acabou bebendo demais e passando a noite na casa do Bruno, amigo do tempo da faculdade que morava num point de bares. Fazia sentido. Só para Letícia que não, já que não foi isso que ele combinara. A menina adiou compromissos profissionais, correu esbaforida pra casa do namorado assim que a sogra ligou de cantinho avisando que ele entrara pela porta.

Quando a namorada entrou, sem bater nem nada, Paulo teve a certeza que: “fudeu”. Ele não conseguiria esconder, ainda que Letícia não estivesse já se sentindo enganada, ou que o selinho da companhia de avião não tivesse sido esquecido na mochila… era impossível disfarçar aquilo. Aquela euforia… minuto mais, minuto menos, teria de confessar que pegara duas ponte aéreas sim, em 24 horas, só para passar a primeira noite com o novo amor da sua vida, que a rede o permitiu conhecer: Lucas.

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