Sagacidade paterna

Por: Yasmin Thayná

O pai é o tipo de cara que sai de casa com 50 reais e volta com 250. Ele não é traficante de drogas, bicheiro, jogador de caça níquel, não frequenta bingo, não é garoto de programa nem mesmo ladrão. Ele é traficante de sagacidade empreendedora e mobilizadora. E se eu puder herdar algo dele, quero a sagacidade.

Osmar é seu nome. Chega a arrancar suspiros profundos de respeito no bairro quando alguém ousa a pronunciar. Só pude perceber a rede extensa de parceiros que ele tem quando ele fez um peer-two-peer, o famoso mutirão, para concretar uma laje da casa da avó. Foi uma mobilização regada a disco de vinil com o rock’n’roll mais clássicos da década de 80: a mesma época que faz seus olhinhos verdes passearem por todo o universo, transcender 30 anos em apenas um piscar de olhos, malabarizando as gotas de lágrimas a 1 centímetro de suas bochechas. Foi nessa época que se apaixonou de verdade. Amou.

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Desafios

Por: Yasmin Thayná

O celular tocou às oito com aqueles estranhos que quando toca no ônibus todo mundo olha para o dono do celular e pensa: esse é da macumba. Esfregou os olhos, olhou para o cronograma fixado na parede em frente a porta do quarto. A vida estava começando do zero pela quarta vez e o compromisso que ela tinha naquele dia, começava às nove, na Universidade Federal, no PAF I.

Ela participaria de um encontro com universitários para discutir questões que envolviam comunicação, arte, tecnologia e cultura digital. Desceu as escadas apressadas, colocou o café para piar no fogão e a manteiga para derreter.

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